19/06/2026
Novo maior acionista individual do GPA, Silvio Tini projeta resgate operacional e aponta desorganização sob o Casino
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 19/06/2026

Foto: Divulgação/ Montagem SA+
Após a retirada de uma cláusula estatutária que limitava o avanço de grandes blocos acionários, o investidor Silvio Tini expandiu sua participação no GPA e assumiu o posto de maior acionista individual da dona do Pão de Açúcar, conforme adiantado ontem pela SA+. A movimentação é acompanhada por um forte posicionamento do investidor, que mira o resgate da identidade tradicional da varejista e aponta desorganização administrativa no período sob o controle do grupo francês Casino, em meio às desconfianças do mercado financeiro e ao andamento da recuperação extrajudicial da companhia.
Por meio de sua holding Bonsucex e de ações em pessoa física, Tini elevou sua participação de 24,5% para 25,795%. Com o acréscimo, ele superou a fatia da família mineira Coelho Diniz, que detém 24,875% do negócio. Em declarações ao jornal Valor Econômico, o investidor afirmou que seu objetivo é colaborar para resgatar a história e a tradição operacional da empresa fundada pela família de Abilio Diniz. Ao jornal, Tini avaliou que a gestão do ex-controlador Casino resultou em desorganização administrativa onde, segundo ele, a bandeira teria sido tratada apenas como um ativo financeiro, distanciando-se de sua vocação tradicional no varejo de alimentos.
Alinhamento e gestão interna
No que diz respeito à governança, Silvio Tini garantiu atuar com total autonomia, descartando a existência de um acordo de blocos com os acionistas mineiros, cuja experiência no varejo alimentar foi endossada pelo investidor. A manutenção da atual liderança executiva também foi sinalizada, sob o argumento de que a estrutura corporativa já passou pelo saneamento necessário, reduzindo o quadro de funcionários da sede administrativa dos anteriores 2.700 para o patamar atual de 700 a 800 colaboradores.
Contexto financeiro e mercado
Para que o plano de recuperação extrajudicial avance, o modelo proposto precisa seguir em conformidade com as diretrizes das grandes instituições bancárias credoras, como Itaú Unibanco, BTG Pactual, HSBC e Rabobank. Tini afirmou que tem buscado auxiliar no diálogo com esses entes financeiros para consolidar a reestruturação.
Por outro lado, a reportegem do Valor aponta que fontes próximas ao conselho de administração apontam que há questionamentos sobre as diretrizes estratégicas que o investidor adotará para o ativo, com o argumento de que ele não possui histórico direto no segmento de varejo alimentar. O impasse ocorre em um momento em que a dona da bandeira Pão de Açúcar tenta estancar uma perda histórica de espaço no setor: a companhia, que no passado disputava o topo do varejo alimentar do país, registrou sucessivas quedas e atualmente ocupa a quinta posição no mercado nacional, com faturamento anual de R$ 20,6 bilhões.
Notícias relacionadas
Grupo MateusEm meio a comunicado de unificação de bandeiras em PE e PB, Grupo Mateus enfrenta teste de maturidade e busca maior eficiência
InauguraçãoCencosud transforma lojas Bretas em Goiânia na bandeira Prezunic e fecha unidades
IndústriaMondelez International anuncia novo vice-presidente executivo
Gestão e negócios







