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15/09/2026
Itens premium ganham força nos supermercados e impulsionam o tíquete médio
POR Giovanna Cazuza
Publicado em:

“A premiumnização é o grande movimento deste ano”, afirmou o economista Ricardo Amorim em sua apresentação no evento (IN) Motion, realizado pela Scanntech em agosto deste ano, na cidade de São Paulo. Segundo ele, um dos principais motivos foi a mudança no imposto de renda, que isentou do pagamento as pessoas que ganham até R$ 5.000. "Essa isenção, mais a redução do imposto para quem ganha R$ 17.350, beneficiou as classes média e alta. Quem ganhava até R$ 3.000 já não pagava imposto de renda antes dessa mudança. Portanto, quem saiu favorecido foram as pessoas com rendimento na faixa de R$ 5.000”, explicou Amorim.
Outros dados da Scanntech reafirmam a ascensão desses itens: a inflação total no varejo alimentar foi de 3,18% no acumulado de 12 meses finalizados em julho, diante de uma alta de 3,67% no preço médio. A diferença entre os dois indicadores diz respeito a um sortimento mais qualificado – ou seja, embalagens maiores e itens mais premium.
Mais espaço para o “mimo do dia”
Indulgência, formatos inovadores e conveniência beneficiam itens de maior valor agregado em categorias como biscoitos, bolos e pães especiais, segundo a Abimapi (Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados).

Inovação e embalagens
Outro fator que impulsiona o consumo é a inovação. Além da experiência sensorial, formatos diferenciados e atributos funcionais vêm ampliando o interesse do consumidor. Pães sem glúten, tortilhas, brioches e outras opções premium agregam conveniência e atendem diferentes estilos de vida, tornando-se alternativas cada vez mais relevantes dentro da categoria.
As embalagens também acompanham essa transformação. O crescimento dos lares menores impulsiona formatos reduzidos e monoporções, que facilitam o consumo individual e aumentam a frequência de compra. Em bolos prontos, por exemplo, as embalagens de até 199 g já representam a maior parte do volume comercializado da categoria.
“O setor continua inovando em ingredientes, sabores, formatos, embalagens e produtos funcionais para atender consumidores com diferentes necessidades. Assim, cada cliente encontra a opção que melhor equilibra orçamento e experiência." afirma Claudio Zanão.
Agregando valor em commodities
Além de categorias de indulgência e com atributos funcionais, itens recorrentes na cesta do shopper, como o sal, também tem espaço para a premiunização. “Hoje o consumidor não compra apenas sal. Ele busca origem, naturalidade e uma experiência gastronômica mais completa”, afirma Ricardo Gobatto, diretor comercial da BR Spices, que faz parte da Kraft Heinz. O produto sempre ocupou um espaço discreto nas gôndolas dos supermercados, com pouca diferenciação entre marcas e quase sempre disputando preço. Esse cenário, porém, vem mudando rapidamente.
A categoria passa por um processo de premiumnização impulsionado por consumidores interessados em ingredientes naturais, menor processamento e novas experiências na cozinha. Segundo a BR Spices, o crescimento dos produtos premium mostra que o consumidor está disposto a investir mais quando percebe diferenciais claros no produto. O movimento beneficia principalmente o sal marinho integral, o sal rosa do Himalaia e os moedores, itens que deixam de ser compras ocasionais para ganhar espaço na rotina doméstica.
Especificamente sobre o sal marinho integral, o destaque são as embalagens pouch de 500 g e 1 kg, que concentram o maior giro da categoria. Já o sal rosa do Himalaia permanece como referência entre os consumidores que procuram produtos premium, enquanto os moedores ampliam as ocasiões de consumo ao agregar praticidade e sofisticação no momento de finalizar os pratos.
A consolidação do segmento também aparece na recorrência de compra. Gobatto afirma que produtos como o sal marinho integral já apresentam crescimento contínuo nas vendas, forte presença no comércio eletrônico e maior espaço nas gôndolas das grandes redes, demonstrando que deixaram de ser apenas uma tendência.
Para o varejo, o principal desafio ainda é abandonar a visão de que todo sal é uma commodity. A recomendação é construir um sortimento que valorize as diferentes propostas da categoria, garantindo abastecimento dos itens líderes e exposição que facilite a escolha do consumidor.
“Mais do que vender sal, o desafio passa a ser gerir uma categoria que entrega maior valor para o consumidor e maior rentabilidade para o varejo”, conclui Gobatto.
“Durante anos, o consumidor comprava sal praticamente pelo preço. Hoje existe uma migração consistente para produtos com maior valor agregado, impulsionada pela busca por alimento mais natural, ingredientes com menor processamento e experiências gastronômicas”
Diversificação de formatos
Embalagens menores atendem os clientes que desejam experimentar novos produtos, enquanto versões maiores abastecem o consumo cotidiano. Os moedores, por sua vez, agregam valor ao estimular o uso em refeições especiais e receitas mais elaboradas. “Cada formato atende a uma ocasião diferente de consumo. É essa diversidade que amplia o potencial da categoria”, diz Gobatto.
Segundo ele, trabalhar as diferentes ocasiões faz toda a diferença para o desempenho da categoria. “O supermercado que organiza o mix considerando os diferentes momentos de consumo consegue capturar um potencial muito maior da categoria e performa até 7 vezes mais do que com um mix reduzido”, destaca.
Esse tema é destaque na revista SA+, onde a matéria acima foi publicada originalmente, intitulada: “A dança das categorias, o ouro em cada mercado."
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