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14/08/2026
Promoções representaram 1/4 das vendas do varejo alimentar em julho
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 14/08/2026

Foto: Adobe Stock
O varejo alimentar brasileiro tem aumentado o uso de promoções para tentar estimular o consumo em um cenário marcado por perda de poder de compra, endividamento das famílias e queda no volume de vendas. Porém, apesar do esforço as ofertas ainda não têm sido suficientes para destravar um crescimento significativo da receita.
Um levantamento da Scanntech mostra que 25,8% das vendas realizadas em julho ocorreram com algum tipo de desconto ou oferta, alta de 1,4 p.p. em relação ao mesmo mês de 2025. A base considera dados reais de vendas coletados diretamente dos caixas de cerca de 450 a 500 grandes varejistas do país.
O atacarejo apresenta a maior participação de vendas promocionais entre os canais analisados. Em julho, 31,6% das vendas do formato foram realizadas com algum tipo de promoção, avanço de 1,7 ponto percentual em relação ao ano anterior. No acumulado de janeiro a julho, o indicador chegou a 30,7%, alta de 2,7 pontos percentuais frente ao mesmo período de 2025.
A maior presença das promoções ocorre ao mesmo tempo em que o volume comercializado permanece pressionado. No acumulado de janeiro a julho, o volume de unidades vendidas nos supermercados recuou 1,4% em relação ao mesmo período do ano passado, mesmo com a intensificação das ofertas.
Segundo a análise, o movimento reflete a necessidade das redes de reagir a um ambiente de consumo mais difícil. O aumento do endividamento e a perda do poder de compra das famílias vêm limitando o crescimento do varejo alimentar, enquanto a inflação de determinados produtos e os custos operacionais continuam pressionando as margens.
Promoções mais longas e descontos maiores
Além de aumentar a participação das ofertas nas vendas, as redes também estão mantendo as promoções por mais tempo. A duração média das ações promocionais cresceu 2,7% em julho, chegando a cerca de cinco dias considerando os diferentes canais.
Os atacarejos e os supermercados com mais de 10 caixas ficaram acima dessa média, com promoções que duraram, respectivamente, cerca de 6,2 dias e 5,9 dias. O prazo representou aumentos de 3,8 e 2,8 p.p. em relação ao ano anterior.
Já os supermercados menores, como minimercados e lojas de vizinhança, mantiveram ações mais curtas. Nessas operações, voltadas principalmente para compras de reposição e de última hora, a duração média das promoções ficou em aproximadamente 4,3 dias.
O tamanho dos descontos também avançou. Em julho, a redução média de preços chegou a 20,4%, alta de 0,8 p.p. na comparação anual. Entre janeiro e julho, todos os canais pesquisados registraram aumento na intensidade dos descontos.
No atacarejo, por exemplo, o desconto médio chegou a 19,4%, avanço de 1,4 p.p. sobre 2025. Nos supermercados com mais de 10 checkouts, o desconto médio ficou em 21%, alta de 0,9 ponto percentual. Nas lojas de vizinhança, o avanço foi mais moderado, de 0,5 ponto percentual, para 20,6%.
Atacarejos aumentam promoções para driblar a inflação sobre o consumo
O avanço das promoções no atacarejo chama atenção porque o formato já nasceu com uma proposta de preços mais competitivos. Tradicionalmente, essas lojas operam com estruturas de custo mais enxutas e preços regulares entre 5% e 10% inferiores aos dos supermercados, além de oferecerem menos promoções.
No entanto, com a rápida expansão do modelo no país e o aumento da concorrência o atacarejo passou a intensificar também as ações promocionais. A estratégia combina preços regulares mais baixos com descontos e ofertas frequentes para disputar o consumidor.
O movimento acontece em um momento em que o chamado trade down, quando o consumidor troca produtos mais caros por alternativas de menor preço, continua presente. A estratégia tem funcionado como uma forma de amenizar parcialmente os efeitos da inflação sobre o consumo.
Receita cresce mais pelo preço do que pelo volume
Apesar do avanço das promoções, os resultados do 1º semestre mostram que elas não foram o suficiente para recuperar o volume de unidades vendidas.
No período, o faturamento em mesmas lojas do varejo alimentar cresceu 2,2%, influenciado por uma alta de 3,7% no preço médio, enquanto o volume de unidades comercializadas caiu 1,4%.
Considerando lojas novas e antigas, o crescimento das vendas chegou a 4,7%, pouco acima da inflação acumulada de 4,52% medida pelo IPCA no período.
O cenário também aparece nos resultados das principais empresas do setor. A receita líquida do Assaí cresceu apenas 0,7% entre janeiro e junho, enquanto o GPA registrou queda de 9% no mesmo período. A Cencosud Brasil, por sua vez, apresentou recuo de 14% no primeiro trimestre e de 18% no segundo trimestre em relação aos mesmos períodos de 2025.
No Carrefour Brasil, as vendas líquidas recuaram 1,6% no primeiro semestre, enquanto, no acumulado do ano, a queda foi de aproximadamente 1%.
Diante desse cenário, as redes vêm combinando promoções com outras estratégias, como revisão de despesas, busca por eficiência operacional, fortalecimento de marcas próprias e programas de fidelidade.
Fonte: Valor Econômico
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