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20/03/2026
Reforma Tributária: por que o cadastro de produtos virou o novo gargalo de risco fiscal para o varejo
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 20/03/2026

Foto: Adobe Stock
No cenário atual de preparação para a Reforma Tributária, um tema crítico tem tirado o sono dos diretores financeiros e de compliance das grandes redes varejistas: o cadastro de produtos. O que antes era visto como uma tarefa operacional de back-office, agora ganha status de prioridade estratégica para evitar autuações e garantir a correta recuperação de créditos.
O Fim da "Zona de Conforto" Fiscal
A transição para o modelo de IVA Dual (IBS e CBS) exigirá uma precisão sem precedentes na classificação das mercadorias. O varejo, que lida com milhares de SKUs e uma alta rotatividade de itens, enfrenta o desafio de revisar descrições, NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul) e códigos de barras que, muitas vezes, estão desatualizados ou incompletos.
Especialistas alertam que a "herança" de dados mal estruturados pode resultar em:
• Bitributação indevida: Pagamento de impostos acima do necessário por erro de classificação.
• Perda de créditos: Dificuldade em comprovar a natureza do item para apropriação de créditos tributários no novo sistema.
• Exposição a multas: O aumento da fiscalização digital não permite mais margens para erros de digitação ou divergências entre a nota fiscal e o cadastro interno.
Tecnologia como Aliada
Para o setor supermercadista e o varejo alimentar — onde a complexidade tributária é ainda maior devido à cesta básica e itens isentos — a automação do cadastro não é mais opcional. O uso de softwares de saneamento de dados e inteligência fiscal permite que o varejista acompanhe as mudanças na legislação em tempo real.
"O varejo precisa entender que o dado é o novo ativo fiscal. Um cadastro higienizado é sinônimo de fluxo de caixa preservado", afirmam consultores do setor.
O que o gestor deve fazer agora?
Para evitar riscos fiscais durante a transição, o plano de ação sugerido inclui:
Auditoria de SKUs: Revisar os itens de maior giro e garantir que a NCM esteja correta.
Padronização de Processos: Estabelecer regras rígidas para a entrada de novos produtos no sistema.
Investimento em Master Data Management: Ferramentas que centralizam e validam as informações de produtos de ponta a ponta.
É preciso ter em mente que a Reforma Tributária não é apenas uma mudança de alíquotas, mas uma mudança de cultura de dados e que a eficiência tributária começa na prateleira, ou melhor, já no código que a identifica.
Fonte: Carta Capital
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