16/09/2026
Ruptura cai em agosto, mas produtos parados em loja aumentam
POR João Fernandes
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O varejo alimentar brasileiro registrou em agosto o menor índice de ruptura dos últimos nove meses. Ainda assim, o mês trouxe um sinal de alerta na outra ponta da cadeia, já que a proporção de produtos parados nas prateleiras sem sair e o tempo médio que essa mercadoria fica estocada cresceram na comparação com o ano anterior.
Os dados são do Radar Mensal da Scanntech, referentes à agosto de 2026. Segundo o levantamento, a ruptura recuou para 4,7% em agosto, uma queda de 1,2 ponto percentual (p.p.) frente ao mesmo mês de 2025, o menor índice deste ano. Já a não venda, indicador que mede o percentual de itens presentes na loja mas sem giro, subiu para 11,4%, alta de 2,3 p.p. Os dias de estoque também avançaram, chegando a 43 dias, oito a mais do que em agosto de 2025.

Na análise por categoria, cinco das seis cestas monitoradas reduziram a ruptura em relação a 2025, com destaque para Mercearia, que teve a maior melhora, de 1,5 p.p. Limpeza foi a única a ficar praticamente estável, com recuo de apenas 0,1 p.p. Apesar disso, em todas as seis cestas o aumento da não venda superou a queda da ruptura, o que fez o saldo líquido de indisponibilidade piorar em todas elas, com variação entre 0,5 p.p. na Mercearia básica e 2 p.p. na Limpeza.
Bebidas foi a categoria com melhor desempenho geral, reunindo a menor ruptura e a menor não venda entre as seis cestas. Já Mercearia e Perfumaria concentraram os piores resultados, com alta de 2,8 e 2,2 p.p. na não venda, respectivamente, e dias de estoque que chegaram a 54 e 76. Apesar desse último tradicionalmente ficar mais tempo no estoque, em relação a agosto de 2025, itens de perfumaria ficaram quase um mês a mais "parados" (21 dias).

O comportamento também variou conforme o porte das lojas. O atacarejo teve a maior ruptura entre os grupos analisados, 5,6%, praticamente estável em relação a 2025, além do maior número de dias de estoque.
As lojas de 1 a 9 checkouts apresentaram a maior queda de ruptura entre os perfis, de 1,8 p.p., mas também tiveram a maior alta de não venda, de 3,9 p.p., chegando a 12,1%, o que indica pressão sobre o capital empregado em produtos sem giro.
Já as lojas com 10 ou mais checkouts mantiveram a melhor eficiência operacional do mês, com os menores índices de ruptura, não venda e dias de estoque entre todos os formatos.

A leitura desses números indica uma mudança no tipo de desafio enfrentado pelo setor. O problema deixou de ser falta de produto na loja e passou a ser giro e sortimento, o que exige atenção redobrada à execução dentro das lojas, e não apenas à reposição de mercadorias.
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