11/09/2026
Saudabilidade pesa 3x mais que preço na retração das vendas em unidades
POR Barbara Fernandes
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A onda de saudabilidade provocou um impacto maior sobre o consumo do que o aumento de preços em termos de volume. Dados do Radar Scanntech de agosto mostram que os produtos mais afetados por essa mudança de comportamento foram responsáveis por uma queda de 2,2 p.p. nas vendas em unidades do mês, enquanto o efeito associado à alta de preços representou 0,7 p.p. do total. Ou seja, a saudabilidade teve impacto 3x maior que o de preço.
Juntos, esses fatores foram responsáveis por 2,9 p.p. da queda de 3,1% nas vendas em unidades de agosto, mês que foi considerado o mais fraco para o varejo alimentar em 2026 até o momento, segundo o levantamento.
O peso da onda de saudabilidade e da alta de preços também apareceu em julho, mas com um percentual menor. Naquele mês, o movimento em direção a itens mais saudáveis foi responsável pela retração de 1,8 p.p. nas vendas em unidades, enquanto o efeito relacionado ao aumento de preços foi de 0,2 p.p. Em agosto, portanto, não apenas o impacto da saudabilidade se ampliou, como a distância em relação ao fator preço aumentou.
O resultado sugere uma mudança importante na interpretação do comportamento da cesta. Se a inflação reduz o volume comprado ao pressionar o orçamento, a saudabilidade atua de outra maneira. O consumidor está substituindo categorias, produtos e ocasiões de consumo, deixando de comprar determinados itens mesmo quando eles continuam fazendo parte de seu orçamento.
O comportamento de incidência por cesta reforça essa hipótese. Em Perecíveis, queijo, frango e verduras apresentaram aumento de incidência, enquanto mini bolo, pão de forma e margarina ficaram entre os produtos em queda.
Na Mercearia, tempero natural, goma de mascar e leite com teor proteico avançaram, em contraste com leite condensado, doces industrializados e temperos industrializados.
Nas Bebidas, a mesma lógica aparece. Itens como energéticos e água ganharam espaço na cesta, enquanto bebidas alcoólicas, como cerveja e vinho, registraram queda.
Não se trata, portanto, apenas de consumir menos, mas de redistribuir o consumo entre produtos com diferentes atributos e percepções de valor.
Essa tendência pode continuar pressionando a composição da cesta nos últimos meses do ano. Para o varejo, o ponto central é que a retração de unidades observada em agosto não pode ser lida somente como consequência da alta de preços. O consumidor está também fazendo escolhas diferentes, e esse movimento exige uma otimização do sortimento.
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Barbara Fernandes
Repórter








