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12/10/2026
O efeito do GLP-1 no carrinho de compras
POR Barbara Fernandes
Publicado em:

A saudabilidade tem sido impulsionada pela popularização dos medicamentos à base de GLP-1. Mas o avanço dessas terapias não altera apenas os hábitos alimentares, impacta também o orçamento dos consumidores. Segundo a Scanntech, cerca de 6,3% dos brasileiros utilizam atualmente medicamentos dessa classe, enquanto outros 8% já fizeram uso deles. O potencial de crescimento ainda é elevado: entre quem nunca utilizou o tratamento, 37% afirmam que começariam caso os preços diminuíssem, ampliando significativamente o universo de consumidores.
239% – Crescimento do uso desses medicamentos no 1º trimestre de 2026 em comparação com igual período do ano anterior, considerando mercado formal e estimativas do mercado informal
125% e 63% – Aumento das vendas em valor e volume, respectivamente, desses medicamentos no 1T26
Fonte: Scanntech

Pesquisa da NielsenIQ mostra que 58% dos brasileiros estariam dispostos a investir até R$ 500 por mês no tratamento, enquanto 28,6% apontam o custo como principal obstáculo. Essa barreira, no entanto, tende a perder força.
Com o fim da patente do Ozempic, novas marcas começaram a disputar esse mercado, pressionando os preços para baixo. Um exemplo é o Ozivy, primeira caneta de semaglutida desenvolvida no Brasil, comercializada inicialmente por R$ 452. O fabricante também passou a oferecer um kit para os três primeiros meses de tratamento por R$ 999, reduzindo o custo médio mensal para aproximadamente R$ 333.
A estratégia torna o tratamento mais acessível e sinaliza uma tendência que deve se intensificar. Para o varejo alimentar, isso significa acompanhar uma mudança que vai além da saúde. Parte da renda das famílias passa a ser direcionada ao tratamento, reduzindo os recursos disponíveis para outras compras e pressionando principalmente as categorias consideradas discricionárias.
Quem domina o uso dos GLP-1?
- Mulheres de 25 a 34 anos
- Renda mensal entre R$ 22 e R$ 32 mil
- Maior concentração nas Regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste
Entre os usuários…
- 62,7% gastam atualmente entre R$ 801 e mais de R$ 1.200 por mês
- 49,7% afirmam que o tratamento tem alto ou muito alto impacto no orçamento
- 62,2% deixaram de priorizar outros gastos para manter o medicamento
- 16,4% reduziram gastos em supermercados
Itens que deixam de ser prioridade entre usuários de canetas emagrecedoras
As bebidas alcoólicas estão em primeiro lugar entre as categorias que os consumidores afirmam ter deixado de comprar e consumir nos supermercados. Logo depois, vêm as indulgências e bebidas não alcoólicas.

Mudança também chega ao prato
Como o medicamento reduz o apetite e aumenta a sensação de saciedade, os usuários modificam a composição das refeições e passam a consumir porções menores. Para se ter uma ideia, dados da NielsenIQ mostram que 89,4% dos usuários afirmam ter mudado seus hábitos alimentares. As escolhas priorizam proteínas, hortifrúti e suplementos para minimizar a perda de massa muscular, enquanto itens ricos em açúcar e gordura sofrem queda.

Nesse contexto a otimização do sortimento se torna essencial. E é exatamente esse o tema da revista SA+ onde a matéria acima foi publicada originalmente.Clique aqui para ler o conteúdo completo. Essa edição dá início a série Decisões de Impacto, uma trilogia que será lançada ao longo do 2º semestre pela SA+ abordando os principais pilares que impulsionam a performance do varejo alimentar.
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no bolso e novos hábitos transformam o consumo nos supermercados
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Barbara Fernandes
Repórter








