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28/05/2026
Segundo maiores acionistas, irmãos Muffato articulam entrada no conselho do Assaí
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 28/05/2026

Foto: Divulgação
Os controladores do Grupo Muffato, Ederson e Everton Muffato, solicitaram ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) autorização para exercer direitos políticos no Assaí. Atualmente, os empresários detêm 11,2% das ações do atacarejo. Segundo o portal InvestNews, a consolidação da fatia atual ocorreu em fevereiro deste ano, com a liquidação de derivativos mantidos com BTG Pactual e XP.
A movimentação visa permitir a possível indicação de membros para o conselho de administração da companhia, visto que os controladores possuem fatia acionária suficiente para pleitear ao menos uma cadeira no board.
O peso dos Muffato no capital do Assaí
O processo ganhou força com a publicação oficial do edital do órgão antitruste, formalizando o início da análise de mercado. A operação foi estruturada por meio de fundos de investimento em ações, veículos financeiros utilizados pelos empresários paranaenses para consolidar a posição na praça. Com esse percentual, os controladores do Super Muffato e do Max Atacadista se posicionam como os segundos maiores acionistas do Assaí, ficando atrás somente da gestora sul-africana Orbis, que detém 11,57% do capital.
Na prática, a movimentação representa uma mudança de patamar na relação entre as duas gigantes do varejo alimentar. O investimento, que antes tinha caráter estritamente financeiro (como uma aplicação de capital para rentabilidade), passa a ter caráter estratégico. Se aprovada pelo Cade, a operação permite que um dos maiores competidores regionais do país tenha voz ativa e influencie os rumos da maior bandeira de atacarejo do Brasil.
Blindagem e governança da corporation
Como o Assaí opera sob o modelo de corporation, sem um controlador definido, o avanço dos donos do Grupo Muffato esbarra em rígidas regras de governança para evitar o compartilhamento de dados sensíveis entre concorrentes. Conforme a defesa apresentada pela banca de advogados Pinheiro Neto, o estatuto social da companhia impede que executivos de redes concorrentes ocupem posições na diretoria ou no conselho. Por conta dessa restrição, Ederson e Everton Muffato não assumirão cadeiras pessoalmente. A estratégia desenhada consiste em indicar profissionais de mercado totalmente independentes, que não possuam qualquer vínculo executivo com as empresas do grupo paranaense.
Regras de compliance e os limites da influência
A petição enviada ao Cade assegura que qualquer poder político concedido será exercido exclusivamente para valorizar as ações da empresa e gerar eficiência ao negócio. Para mitigar os riscos concorrenciais, os advogados reforçam que esses membros atuarão de forma autônoma e sob estrito dever de sigilo, sendo impedidos de acessar relatórios comerciais ou estratégicos caso haja configuração de conflito de interesses.
A publicação do edital abre agora o prazo de 15 dias para que outras redes e terceiros interessados do setor apresentem contestações ao Cade, que terá até 240 dias para emitir o veredito final sobre o caso.
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