04/05/2026
A ascensão da "estética da economia": veja como o minimalismo ganha espaço como estratégia de sinalização de preços no PDV
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 04/05/2026

Foto: Adobe Stock
Design como ferramenta de sinalização de preço. Nessa nova tendência do varejo alimentar, sai o luxo decorativo e entra a estética da economia. Pressionados pelo avanço do atacarejo, supermercados tradicionais agora adotam layouts minimalistas e engenharia de valor para sinalizar preços baixos e evitar que o alto custo das obras comprometa a rentabilidade do investimento.
De acordo com Steven Le e James Owens, da HFA Architecture e Engineering, a estratégia abandona cafeterias gourmet e acabamentos caros em favor de estruturas industriais que priorizam a eficiência operacional e a escalabilidade.
O desafio do varejista reside em equilibrar materiais de alta qualidade com componentes de baixo custo para gerenciar as mensagens subliminares do ambiente.
Enquanto redes especializadas como Whole Foods e Wegmans ainda investem em experiências ricas, players tradicionais como Kroger e Publix enfrentam a tentação de simplificar para não afastar o consumidor.
O uso de elementos como balcões de quartzo e marcenaria customizada, comuns em lojas como a americana Erewhon, pode elevar a experiência, mas também transmite a percepção de que a operação é cara. Por outro lado, a substituição desses materiais por concreto polido e forros abertos com treliças expostas ajuda a reduzir a barreira do cliente que busca economia, permitindo que o merchandising e as ilhas de ofertas ganhem protagonismo com custos de manutenção reduzidos.
Escalabilidade em formatos compactos
A busca por produtividade tem impulsionado a abertura de unidades menores, com metragens otimizadas para cerca de 2.000 m². Para os especialistas da HFA, esse formato enxuto, amplamente utilizado pela rede alemã ALDI, permite que o varejista reduza o investimento inicial e os custos de locação, facilitando a expansão em áreas urbanas adensadas.
Ao optar por prateleiras metálicas simples e dispensar forros suspensos, o custo de construção cai drasticamente. A lógica de projeto prioriza o ganho de escala, pois ao diminuir o aporte em estética e serviços de baixa rotatividade, a operação ganha fôlego financeiro para negociar volumes maiores com fornecedores e repassar competitividade à gôndola.
O produto como protagonista do layout
A transição para layouts abertos e minimalistas também responde à necessidade de dar visibilidade total ao sortimento. Sem a competição visual de decorações complexas ou sinalizações em neon, o colorido natural do FLV e o destaque das embalagens guiam a jornada de compra de forma direta.
O design simplificado não resulta em uma experiência de baixa qualidade, mas sim em um ambiente que valoriza os itens da mesma forma que uma boutique de moda utiliza o minimalismo para destacar seus produtos.
O foco do setor deixa de ser a criação de ambientes cênicos para se tornar a entrega de uma experiência de eficiência, na qual a organização e a limpeza da loja comunicam ao cliente a satisfação de realizar um negócio vantajoso.
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