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15/09/2026

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Cervejas sem álcool e energéticos impulsionam a venda de bebidas nos supermercados

POR Giovanna Cazuza

Publicado em:

Um homem parado próximo a um carrinho escolhendo entre duas cervejas
Foto:Adobe Stock

Cada vez mais, cervejas sem álcool, novas versões de baixa caloria, RTDs e energéticos estão ganhando espaço nas gôndolas e acompanhando novas demandas do público por saúde e bem-estar. Além disso, a disputa por espaço se tornou maior.


Dados de aumento de cerveja sem álcool
Foto: Gráfico feito pela SA+


No segmento de não alcoólicos, destacam-se as versões com apelo à saúde e os energéticos. Já nas versões alcoólicas, as cervejas sem álcool e de baixa caloria e RTDs (prontos para beber) passaram a ocupar espaço estratégico nas gôndolas, impactando o tíquete médio a partir da criação de novas variantes dos produtos. Natália Urnikes, gerente sênior de trade marketing Off-Premise do Grupo Heineken, explica que o consumidor não está substituindo uma categoria pela outra. Ele está ampliando suas possibilidades de escolha conforme a ocasião de consumo – o que favorece os supermercados.


Quem é esse consumidor


O crescimento das cervejas e outras bebidas isentas de álcool é impulsionado, entre outros fatores, por mudanças no perfil do consumidor. A pesquisa Ipsos-Ipec realizada em 2025 para o CISA aponta que 64% dos adultos afirmavam não consumir bebidas alcoólicas, índice superior aos 55% de 2023. Entre os jovens de 18 a 24 anos, a taxa de abstinência chegou a 64%.


Para Natália, do Grupo Heineken, o avanço dessas categorias reflete uma transformação mais profunda nos hábitos de consumo. Segundo ela, com isso, o varejo ganha uma oportunidade de ampliar vendas sem substituir categorias tradicionais. A estratégia passa pela construção de um sortimento mais diversificado, capaz de atender diferentes perfis de consumidores e ocasiões de compra.


Cinte disso, o Grupo tem aumentado seu portfólio justamente para responder a esse novo hábito. Além das cervejas sem álcool, a companhia aposta em produtos de menor teor calórico e nos drinks prontos para o consumo, reunidos na plataforma +Equilíbrio. "O shopper busca cada vez mais equilíbrio entre prazer, conveniência e bem-estar. Hoje, o consumo é pautadopor maior flexibilidade, permitindo que as pessoas alternem suas escolhas conforme a ocasião, o momento do dia e o estilo de vida, sem abrir mão da experiência."


Sortimento inteligente aumenta conversão


Produtos com diferentes atributos, como cervejas zero álcool, baixa caloria e RTDs, precisam estar organizados para facilitar a escolha do consumidor. Segundo a gerente sênior de trade marketing OFF-Premise da Heineken, as cervejas sem álcool continuam entre os segmentos mais dinâmicos, enquanto as versões de menor teor calórico também ganham relevância.


Outro aspecto observado pela empresa é a importância de oferecer diferentes formatos de embalagem. As individuais favorecem a experimentação e consumo imediato, enquanto os packs continuam estratégicos para compras de abastecimento.


Sem álcool já é realidade


Quem também vem apostando na saudabilidade é a Ambev. No 1º semestre deste ano, as marcas Stella Artois e a Michelob juntas cresceram três dígitos e alcançaram uma participação de mercado de 67%, segundo dados da empresa apresentados em evento da SA+ na capital paulista.


Segundo a Ambev, a Michelob se tornou a marca de cerveja número 1 dos EUA. A bebida conta com 80% menos carboidratos, 26 calorias/100 ml e é isenta de glúten. Já a Stella Artois se destaca pelo atributo indulgência, além de saúde e bem-estar. Por conta disso, a marca é patrocinadora de 3 Grand Slams do tênis mundial. Entre eles, o tradicional Roland Garros, em Paris (França). 


A empresa ainda lançou recentemente a Spaten Pro, que leva proteína em sua composição, atentando-se também à outras mudanças recorrentes no consumo.


Futuro da categoria


Para os próximos anos, a expectativa é de consolidação de um mercado ainda mais diversificado, em que cervejas tradicionais, versões zero álcool, bebidas de menor teor calórico e RTDs coexistam de forma complementar. Para aproveitar o máximo desses segmentos, o varejo deve se preparar adotando uma revisão contínua do mix. Nesse sentido, é preciso se municiar de dados e pesquisas, cujas decisões devem ser refletidas no ajuste das gôndolas.


Energéticos ganham os carrinhos de compras


Antes associado quase exclusivamente às baladas e à vida noturna, a categoria de energéticos é outro destaque em bebidas, marcando presença em diferentes ocasiões de consumo. A diversificação do público também impulsiona o crescimento desses produtos, que hoje atendem consumidores de diversas faixas etárias por meio da inovação em sabores, tamanhos de embalagens e versões sem açúcar. Isso significa maior valor agregado e forte potencial de compras por impulso.


Dentro da categoria, os produtos zero açúcar despontam como principal vetor de crescimento. Dados da NielsenIQ mostram que os energéticos sem açúcar já representam 29,3% do segmento e crescem duas vezes mais do que os tradicionais. Ainda assim, os energéticos regulares seguem desempenhando papel importante no volume de vendas e na recorrência de compra.


Gráfico que mostra o aumento da participação dos energéticos nas vendas


"Quando existe um mix ideal e uma boa exposição, a categoria contribui para aumentar o valor do carrinho e a rentabilidade do varejista", conta Jean Carlos Oliveira, gerente nacional de trade marketing da Baly.


Para ele, é essencial equilibrar esse mix de acordo com o perfil do consumidor. “O varejista precisa trabalhar o tradicional como base do sortimento, mas abrir espaço proporcional ao crescimento dos produtos zero e de versões com sabores nas gôndolas”, ressalta.


A consolidação do segmento também aparece nos indicadores de consumo. Segundo dados da Kantar citados pela Baly, os energéticos chegaram a aproximadamente 22 milhões de novos domicílios, alcançando 38% dos lares brasileiros em 2024, indicando que o produto deixou de ser uma tendência para se tornar um item recorrente na cesta de compras.


Execução ainda é desafio


Entre os erros mais frequentes estão oferecer poucas opções, padronizar o mesmo mix para todas as unidades e falhas básicas de execução, como ruptura, produtos sem preço, pouca presença em geladeiras e organização inadequada da gôndola. Na avaliação do executivo, a personalização do sortimento é essencial para acompanhar o comportamento de consumo de cada região.


“Quem tratar energéticos apenas como mais uma bebida poderá perder uma importante oportunidade. Quem compreender suas diferentes ocasiões de consumo e executar corretamente terá uma categoria capaz de gerar tráfego, aumentar o tíquete médio e entregar rentabilidade”, completa.



Esse tema é destaque na revista SA+, onde a matéria acima foi publicada originalmente, intitulada: “A dança das categorias, o ouro em cada mercado."


Para ler essa matéria na íntegra e outros conteúdos: Clique aqui


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TAGS:AGOSTO-2026: Otimização do Sortimento,Cerveja sem Álcool,Energéticos,Comportamento do Consumidor,Sortimento de Produtos,Gestão de Gôndola,Grupo Heineken,RTD
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