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28/04/2026
Assaí tem receita de R$ 20,6 bi no 1º tri e amplia em 21% os serviços de padaria, açougue e frios
POR Ismael Jales
EM 28/04/2026

Foto: divulgação
O Assaí Atacadista registrou uma receita bruta de R$ 20,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026, avançando 1,7% na comparação anual. No entanto, a receita líquida da companhia estacionou em R$ 18,6 bilhões, refletindo o impacto direto da deflação em itens da cesta básica e o recuo de 0,9% nas vendas em mesmas lojas, fruto de um consumo ainda retraído entre as famílias de menor renda.
A empresa apurou lucro líquido de R$ 86 milhões, uma retração de 46,7% motivada pelas altas despesas financeiras. No entanto, o resultado contábil final saltou para R$ 367 milhões após a companhia incluir R$ 281 milhões em créditos tributários de PIS/Cofins recuperados no período.
O desempenho comedido vem em linha com o esperado pelo mercado, sendo fortemente impactado pela deflação média de 12% em commodities fundamentais, como arroz, feijão e óleo. Para a SA+, Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, explicou que o cenário macro comprimiu o crescimento nominal.
“O crescimento de vendas veio fraco, influenciado pela deflação forte em itens básicos e pela renda disponível bastante comprimida das classes C, D e E, que são o principal público do Assaí", pontuou.
O EBITDA ajustado ficou em R$ 1,025 bilhão, mantendo a margem estável em 5,5% apesar do lucro pressionado. Para Uarian, isso mostra a qualidade da execução: "os resultados reforçam que seu modelo de atacarejo está entregando maior resiliência e ganho de market share neste momento".
O analista explica que o setor sofre com juros altos e endividamento recorde das famílias, mas destaca um trunfo da rede: “O Assaí tem uma proposta de valor muito bem ajustada para o consumidor de menor poder aquisitivo. Isso é uma vantagem estrutural em cenários de aperto”.
Expansão Gradual e Foco em Maturação
Diferente do ritmo acelerado de anos anteriores, o Assaí adotou uma postura mais seletiva para 2026. No primeiro trimestre, a rede inaugurou apenas uma nova unidade, elevando seu total para 313 lojas em operação. Ao longo de 2026, a empresa planeja outras 4 novas lojas, sinalizando o foco na maturação das unidades existentes e na geração de caixa.
"Com o encerramento do ciclo de conversões das lojas vindas do Extra Hiper, o foco da companhia agora está totalmente voltado para a geração de caixa. Nosso objetivo é entregar uma estrutura de capital ainda mais leve ao longo de 2026”, destacou Belmiro Gomes, CEO do Assaí.
Tecnologia e Serviços
A digitalização das unidades também avançou. A empresa encerrou o tri com 1.678 self-checkouts instalados em 304 lojas, um salto frente às 398 máquinas operacionais no mesmo período de 2025. Paralelamente, a companhia expandiu seu ecossistema de serviços para 775 seções (açougues, padarias e empórios), alta de 21% em um ano.
No campo digital, as vendas via "last mile" dobraram de tamanho na comparação anual. O CEO aponta que a evolução dessas frentes “tem sido fundamental para elevar o tíquete médio e a frequência de compra dos nossos clientes.”
Marcas Próprias como alavanca de competitividade
A companhia consolidou o lançamento das marcas Chef e Assaí, focadas em categorias de alto giro. A meta é encerrar 2026 com 200 SKUs exclusivos, atendendo o cliente final e o transformador (B2B). Além de arroz e feijão, o portfólio receberá pães, açúcar, leite fermentado e vegetais congelados que chegam próximas semanas, segundo a empresa.
Projeções para o Ano
Para o restante de 2026, o Assaí projeta aceleração gradual e mantém a meta de desalavancagem. Segundo Gabriel Uarian, o horizonte é de otimismo moderado: "A expectativa é de uma leve melhora no topo de linha a partir do segundo trimestre, à medida que a inflação de alimentos deve voltar a contribuir positivamente para o faturamento nominal". A entrada em novas verticais, como drogarias, e a estabilização dos juros também devem ajudar a atenuar a pressão sobre o lucro líquido.
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