ÚLTIMAS NOTÍCIAS
20/04/2026
Atacarejo é o único canal a registrar queda de faturamento em fevereiro
POR Barbara Fernandes
EM 06/03/2026

Foto: Adobe Stock
O atacarejo foi o único formato do varejo alimentar brasileiro a registrar queda de faturamento em fevereiro. O canal apresentou retração de -2,3%, enquanto os demais formatos do setor tiveram avanço médio de 1,5%.
O desempenho negativo foi puxado principalmente pela redução do movimento nas lojas e pela queda nas vendas por unidade. O fluxo recuou cerca de -4% e o volume vendido por unidade caiu quase -6%. Nem mesmo o aumento de 3,6% no preço por item foi suficiente para compensar essas perdas.
Apesar da retração mais acentuada em unidades, o atacarejo também foi o canal que registrou o maior crescimento no tamanho das embalagens, com alta de 4,5%. O movimento indica que parte dos consumidores continua optando por formatos maiores de compra, estratégia que ajuda a amortecer a queda no volume total comercializado.
Os dados são do Radar Scanntech e comparam a performance do setor em 2026 frente a 2025. O levantamento mostra ainda que os supermercados também enfrentaram redução no fluxo (-4,6%) e nas unidades vendidas (-1,6%), embora tenham conseguido sustentar crescimento em faturamento.
No acumulado de 2026, o atacarejo também aparece como o único formato com retração tanto nas mesmas lojas (-1,4%) quanto no total de unidades (-0,3%). Entre os supermercados, por outro lado, as mesmas lojas contribuíram com 1,1 p.p. adicional para o crescimento do canal. Já em expansão de rede, o destaque ficou com os minimercados que possuem de 1 a 4 checkouts e avançaram 5,1%.
Consumo em volume segue pressionado o setor
O levantamento revela que o varejo alimentar ainda enfrenta dificuldades para retomar o crescimento em volume. Em fevereiro, o consumo em unidades recuou -3%, enquanto o fluxo nas lojas caiu cerca de -4,5%, considerando o setor como um todo.
A alta de 3,3% no preço médio por unidade ajudou a sustentar o faturamento, que registrou avanço modesto de 0,2% no período.
Entre as categorias que mais cresceram em valor estão os alcoólicos, excluindo cerveja, com alta de 3,6%. Entre elas o destaque ficou para as misturas alcoólicas, que avançaram 19,7%. Também tiveram desempenho relevante chocolates (+16,9%), energéticos (+14,9%) e carne bovina (+9,8%), impulsionados principalmente pelo aumento de preços.
Em volume, os energéticos lideraram o crescimento, com alta de 13,3% em unidades vendidas. Na sequência aparecem os queijos (+8,2%) e os azeites (+5,7%).
Por outro lado, a retração do faturamento em fevereiro foi puxada principalmente por bebidas associadas ao consumo em períodos de calor, devido às temperaturas mais baixas do que as registradas em 2025. As vendas de suco caíram -10,7%, seguidas por refrigerantes (-3,5%) e cervejas (-3,4%).
Também chamam atenção as quedas em categorias básicas da cesta de mercearia. Arroz (-35,3%), açúcar (-21,7%) e leite líquido (-5,8%) apresentaram retração em valor, movimento explicado principalmente pela redução do preço médio desses produtos.
No recorte por unidades vendidas, a retração também foi liderada por bebidas de verão. Suco (-15,4%) e cerveja (-12%) registraram as maiores quedas, seguidos por margarina (-9%), açúcar (-8,6%) e frios industrializados (-8,6%).
Notícias relacionadas
IndústriaEm movimento contrário ao setor, indústria de alimentos é a única a apresentar queda em lançamentos
PesquisaDados e IA deixam de ser opcionais: veja quais são os 4 pilares que definem o futuro do varejo alimentar
SupermercadosSupermercados lideram compra de carne bovina no Brasil e assumem novo papel frente ao consumidor
PesquisaVarejo brasileiro enfrenta prejuízo bilionário com desperdício de perecíveis e falta de previsibilidade
Barbara Fernandes
Repórter








