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09/02/2026
Black Friday no varejo alimentar: oportunidade real ou superestimada?
POR Barbara Fernandes
EM 21/11/2025

Foto: Adobe Stock
À medida que a Black Friday se aproxima, o varejo alimentar precisa avaliar se o o crescimento nas vendas realmente se converte em lucro no trimestre. O volume adicional representa ganho real ou apenas deslocamento de compras antes concentradas em dezembro? E, sobretudo, até que ponto o setor ganhou protagonismo nessa data tradicionalmente dominada por eletroeletrônicos e bens duráveis?
Dados da Neogrid indicam que a Black Friday deixou de ser um evento de compras impulsivas e passou a incluir itens de consumo recorrente, o que amplia a participação do varejo alimentar. Entre outubro e novembro de 2024, cestas de Alimentos e Bebidas Alcoólicas avançaram, tendência que deve se repetir. Destilados permanecem no centro das apostas, especialmente após a queda de vendas no último trimestre motivada pela crise do metanol.
Levantamento da NielsenIQ reforça esse movimento: todas as cestas FMCG cresceram na última edição, com destaque para perfumaria e cosméticos (19,6%). Alimentos e bebidas registraram 6% de avanço na sexta-feira promocional. Entre os produtos mais vendidos, suplementos lideraram, seguidos por perfumes, fraldas e cerveja, com uísque, escova dental e desodorante também inclusos no Top 10.
Mas, faturamento maior não significa automaticamente aumento na rentabilidade. O varejo enfrenta margens apertadas por descontos agressivos; custos extras de operação, reposição e logística; e o risco de canibalizar vendas de dezembro. O desafio está em medir margem incremental e entender o impacto do mix.
A McKinsey aponta que consumidores sensíveis a preço priorizam ofertas de abastecimento, o que exige promoções estrategicamente desenhadas. Isso envolve trabalhar itens de alta elasticidade, criar ofertas combinadas que aumentem o tíquete médio e contar com reposição eficiente para evitar perdas. Já a Neogrid destaca que redes que negociam condições com a indústria e planejam estoques têm maior chance de transformar giro em lucro real.
No fim, a Black Friday pode ser vantajosa para o varejo alimentar, desde que tratada como uma alavanca tática. Com planejamento, análise de margem e execução precisa, amplia resultados; sem isso, corrói margens e oferece pouco retorno no acumulado do ano.
Dicas rápidas para reforçar as vendas:
• Definir um sortimento promocional enxuto, focado em itens de giro rápido e margens sustentáveis.
• Equilibrar SKUs “isca” com produtos de margem mais alta.
• Intensificar comunicação digital com ofertas temporais e estoques limitados.
• Integrar ofertas ao programa de fidelidade para ampliar dados e ações
pós-evento.
• Acompanhar preços e movimentos da concorrência.
• Reforçar equipes para evitar rupturas e filas.
• Mapear itens com risco de canibalização e limitar descontos nessas SKUs.
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Barbara Fernandes
Repórter








