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20/09/2026
Resiliência: como a maior rede da Ucrânia se adapta à guerra para continuar expandindo
POR Reportagem SA+ Conteúdo
Publicado em:

Foto: Divulgação Slipo
Operar no varejo alimentar sob o impacto de bombardeios diários, apagões sistêmicos e fronteiras bloqueadas exige mais do que resiliência, exige uma reengenharia completa do negócio. É o que tem feito o Fozzy Group, um dos maiores conglomerados de varejo da Ucrânia, por meio de sua principal bandeira de supermercados, a Silpo. Fundada em 1998, a rede conta hoje com mais de 30 mil colaboradores e opera mais de 300 lojas.
Entre 2022 e 2026, a varejista viu 32 de seus supermercados serem total ou parcialmente destruídos pelo conflito. Destes, 17 já foram reconstruídos e reabertos. Outras 22 unidades seguem inoperantes por estarem em áreas de ocupação temporária ou zonas de combate ativo.
Mesmo diante deste cenário crítico, a Silpo adotou uma postura de expansão agressiva: abriu 38 novos supermercados e reformou oito nos últimos quatro anos. Para garantir a continuidade das operações, 100% das lojas foram equipadas com geradores robustos e internet via satélite Starlink. Segundo Pavlo Skovoronskyi, chefe do departamento de FLV da Silpo, os pontos de venda tornaram-se mais do que locais de compras; viraram hubs comunitários de conectividade e convivência para os clientes, que a rede chama tradicionalmente de "hóspedes".
Design de lojas premiado mundialmente
Um dos pilares de diferenciação da Silpo é o foco em experiência de compra por meio do design. Desde 2018, cada nova loja adota um conceito temático exclusivo, com estilo visual e instalações artísticas próprias desenvolvidas em parceria com artistas locais, marcas internacionais e embaixadas. O modelo rendeu à rede aparições recorrentes na prestigiada lista Europe's Finest Store, da European Supermarket Magazine.

O desafio do FLV: logística expressa e o conceito do "Produto Herói"
No segmento de FLV (Frutas, Legumes e Verduras), a guerra impôs barreiras severas. Com portos fechados, toda a importação da rede foi deslocada para a fronteira ocidental do país, acrescentando dias cruciais ao transporte de perecíveis vindos de parceiros europeus (como as marcas Azura, Mona Lisa, Bruno e La Palma). Para mitigar a perda de shelf-life, a Silpo redesenhou sua malha logística: implementou duplas de motoristas por caminhão nas viagens de longa distância, permitindo que a frota rode ininterruptamente.
Na área de vendas, o gerenciamento de categoria adota de forma rígida o conceito de sazonalidade com o "produto herói". Quem entra em uma loja Silpo é imediatamente impactado por exibições massivas no ponto focal da entrada: quando começa a safra de aspargos locais ou de mirtilos ucranianos, eles ganham o maior espaço na gôndola. Quando a janela comercial fecha, o item volta para sua posição regular, abrindo espaço para a próxima cultura da estação. Outro destaque de importação no setor são os tomates marroquinos da marca Azura.
Abacate pronto para consumo e marca própria
O grande case comercial de FLV da Silpo é o abacate Hass. A rede é a única no país a operar o fruto em escala massiva, comercializando 13 milhões de unidades por ano (17 milhões somando todo o Fozzy Group). O sucesso do produto deve-se ao investimento pioneiro da rede em câmaras próprias de amadurecimento controlado (climatização por gás), vendendo o item exclusivamente no conceito ready-to-eat (pronto para consumo). O que era um item exótico há dez anos hoje faz parte do checkout diário.
O comportamento do consumidor também acelerou a migração do granel para o produto embalado e de quarta gama (processados). Para capturar essa margem e garantir o frescor, a Silpo verticalizou a operação: a própria rede faz a classificação, o porcionamento e o empacotamento de vegetais folhosos e pré-cortados em centrais próprias, distribuindo as soluções sob sua marca própria.
O bolso dita o ritmo dos orgânicos e sustentáveis A macroeconomia da guerra moldou o poder de compra.

Antes da guerra, o mercado de orgânicos crescia de forma estável, mesmo com um premium price de até 60% sobre os convencionais. Com a destruição de fazendas orgânicas locais, a Silpo passou a sustentar o sortimento via importações para manter o cliente fiel, embora o segmento tenha encolhido.
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