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25/06/2026
Consumo das famílias desacelera e impõe ao atacarejo retomada do foco em preço baixo
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 27/03/2026

Foto: Adobe Stock
O cenário de consumo no Brasil enfrentou ventos contrários ao longo de 2025, com uma desaceleração marcada por juros elevados, endividamento das famílias e inflação de serviços. Para 2026, a expectativa é de um crescimento modesto de +1,5% no consumo das famílias, acompanhando uma projeção de PIB de +2,3%. Os dados foram apresentados pela NielsenIQ durante o evento de lançamento do Ranking ABAAS 2026.
O bolso do brasileiro sob nova pressão
A tradicional "compra do mês" está perdendo a queda de braço para outros gastos. De acordo com o estudo, a importância do abastecimento do lar (FMCG) na matriz de despesas caiu de 23,2% em 2023 para 21,9% em 2025. Em contrapartida, as despesas com saúde e o pagamento de dívidas ganharam relevância no orçamento.
Dois fatores emergentes chamam a atenção pela velocidade com que drenam a renda disponível:
• Apostas Online: 26% dos lares brasileiros já participam regularmente de jogos e apostas, um volume duas vezes maior que o registrado há um ano. Entre os que substituíram gastos para apostar, a alimentação é a categoria mais afetada (47%), seguida pelas contas do lar (45%).
• Canetas Emagrecedoras: O mercado farmacêutico vive uma revolução. Em 2026, 8 dos 10 itens mais vendidos em faturamento no canal Farma são medicamentos emagrecedores (como Ozempic e Wegovy), alterando o fluxo de caixa das famílias.
Atacarejo: Resiliência e volta à "essência"
Apesar da desaceleração geral, o Atacarejo consolidou-se como o canal de maior crescimento no varejo alimentar em 2025, registrando alta de 8,8% em vendas. O canal atingiu novos recordes de penetração (presente em 76% dos lares) e frequência de compra.
Entretanto, o momento exige atenção dos operadores. Após seis anos, o "Preço Baixo" voltou a ser o principal fator de escolha do shopper no Atacarejo, superando "Descontos e Promoções". Isso ocorre em um momento em que a competitividade de preços em relação ao varejo tradicional está sob pressão, atingindo seu menor diferencial em dezembro de 2025, especialmente impactada pela deflação de commodities.
Para o Diretor de Atendimento ao Varejo da NielsenIQ Brasil, Domenico Filho, o momento é de atenção máxima à eficiência. O consumidor está levando menos itens por ocasião de compra e priorizando o essencial. "A competitividade segue pressionada no canal, diminuindo o diferencial de preços versus o varejo", aponta o relatório, reforçando que a preservação da essência do preço baixo será fundamental para manter a liderança do Atacarejo em 2026.
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