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É o fim da expansão agressiva? Atacarejos nacionais desaceleram e redes regionais assumem protagonismo nas aberturas

POR Barbara Fernandes

EM 13/03/2026

Assaí - Corredor

 Foto: Divulgação

 

Durante a pandemia, atacarejos como Atacadão e Assaí colocaram em prática planos robustos de expansão pelo território nacional, seja por meio de conversões ou inaugurações orgânicas. A estratégia era estar mais próximo dos consumidores e oferecer um custo-benefício considerado essencial em um momento em que o orçamento das famílias estava pressionado pelos efeitos da crise de saúde global.

 

Para se ter uma ideia, o Assaí abriu 107 lojas entre 2020 e 2022, sendo que 60 dessas unidades foram inauguradas somente em 2022. Um dos principais impulsionadores desse movimento, que ajudou a consolidar a rede como o 2º maior varejo alimentar do Brasil, foi a separação do GPA (em 2021) e a conversão de lojas do Extra Hipermercado. Ao todo no período, a empresa teve um aumento de 43% no total de unidades, que passou de 184 para 263.

 

Nos anos seguintes, no entanto, o ritmo de expansão perdeu intensidade. Entre 2023 e 2025, a empresa abriu 52 unidades e passou de 288 para 312 lojas. Em 2025 foram inauguradas apenas 10 unidades, o menor número de aberturas em cinco anos. Para 2026, a companhia mantém a expansão mais contida, com planos de 5 novas lojas.

 

Movimento semelhante ocorre com outra gigante do cash & carry brasileiro, o Atacadão. Entre 2020 e 2022, a bandeira do Grupo Carrefour Brasil registrou 159 aberturas, resultado que combina inaugurações orgânicas com a conversão de lojas das redes Makro e BIG.

 

No entanto, entre 2023 e 2024 foram abertas 49 unidades, uma expansão mais desacelerada que teve como um dos fatores relevantes a conversão de lojas de varejo do próprio grupo para o formato atacarejo. Em 2025, o Carrefour Brasil fechou seu capital no país e deixou de divulgar resultados detalhados. Ainda assim, a estimativa é de que cerca de 6 lojas do Atacadão tenham sido inauguradas com base em releases divulgados pela companhia, incluindo a abertura de uma unidade no início de dezembro do último ano. Totalizando assim, 55 lojas abertas entre 2023 e 2025.

Fonte: Relatórios de Resultados do Grupo Carrefour Brasil e Assaí entre 2020 e 2025.


Recentemente, a empresa também anunciou planos para abrir 70 unidades até 2030. Isso equivale a uma média de 14 inaugurações por ano, ritmo ainda inferior ao observado no período mais intenso de expansão nos últimos cinco anos.

 

Um estudo do Itaú BBA reforça essa desaceleração do formato. Segundo a instituição, o ritmo de abertura de lojas caiu 31% em 2025, com um total de 114 inaugurações de atacarejos no país. Em 2024, a expansão do segmento já havia apresentado retração de 15%. O levantamento também aponta que entre 2021 e 2023 a média líquida de inaugurações era de 22 lojas por mês.

 

Para o Itaú BBA, o movimento indica que o formato entra agora em uma fase mais madura. A análise ressalta, porém, que a desaceleração é puxada principalmente pelas redes de alcance nacional, como Assaí e Atacadão. Já os atacarejos regionais mantiveram seu ritmo e continuam consolidando liderança em seus principais estados.

 

Esse avanço regional ajuda a explicar a distribuição das novas lojas. Em 2025, Nordeste e Sul concentraram 63% das aberturas líquidas do formato no país. Bandeiras como Mix Mateus, Novo Atacarejo, Atakarejo, Stok Center, Macromix e Via Atacadista aparecem entre os exemplos de redes que seguem ampliando a presença do modelo em suas regiões.

 

O cenário sugere uma mudança no ciclo de crescimento do setor. Depois de um período marcado pela corrida por pontos comerciais e ganho de escala nacional, o formato parece caminhar para uma etapa de consolidação, na qual eficiência operacional, produtividade por loja e domínio regional passam a ter peso maior na estratégia das empresas.


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TAGS:Mudanças no setor, atacarejos, Expansão, Assaí,Atacadão
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Barbara Fernandes

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