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29/01/2026
Eficiência, busca por valor e polarização devem orientar as decisões de compra na América Latina
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 26/01/2026

Foto: Adobe Stock
Os pilares eficiência, busca por valor e polarização passaram a orientar de forma estrutural as decisões de compra em 2026. A conclusão é de um estudo divulgado pela Worldpanel by Numerator Latam.
O consumo na América Latina entrou em 2025 sob pressão de orçamentos mais restritos e decisões de compra mais planejadas. Ainda assim, padrões de comportamento observados ao longo do ano ajudam a antecipar tendências que devem influenciar o mercado em 2026.
Após 11 trimestres consecutivos de crescimento, o volume de bens de consumo de giro rápido (FMCG) entrou em um período de maior estabilidade, com desaceleração registrada na maioria dos mercados latino-americanos ao longo de 2025.
Entre os movimentos identificados está a redução da frequência de compras, acompanhada por carrinhos com maior volume por visita. Segundo a Worldpanel, a inflação em FMCG levou os consumidores a compensar o aumento de preços com a diminuição do número de unidades adquiridas, comportamento que não foi totalmente revertido pelo aumento da frequência. O cenário econômico e a realização de eleições em diferentes países contribuíram para decisões mais cautelosas e maior planejamento financeiro dos lares.
Paralelamente, os consumidores passaram a circular por um número maior de canais ao longo do ano, comparando preços, formatos e oportunidades antes de concluir a compra. Em todos os países analisados, o custo-benefício se consolidou como principal critério de decisão, refletindo-se na reorganização do mercado por faixas de preço.
Marcas de menor preço e marcas próprias ampliaram participação nas ocasiões de compra, enquanto marcas de posicionamento intermediário perderam espaço. Atacarejos e lojas de desconto avançaram tanto em penetração quanto em frequência.
E-commerce é impulsionado pela categoria de cuidados pessoais
No Brasil e na Argentina, os atacarejos se destacaram, enquanto em países como Equador, México e Colômbia as lojas de desconto registraram avanço relevante. No Equador, a penetração desse formato cresceu 7%.
O comércio eletrônico manteve trajetória de expansão ao longo de 2025. De acordo com o estudo, a penetração do e-commerce na América Latina passou de 29% para 43% em um ano. A categoria de cuidados pessoais foi a que mais contribuiu para esse crescimento. O movimento foi impulsionado pela maior competição entre plataformas globais e regionais, que ampliaram investimentos em logística, sortimento e experiência de compra.
Outro comportamento observado foi o avanço simultâneo de marcas premium e marcas próprias, fenômeno conhecido como efeito “high–low”. Enquanto esses segmentos cresceram, marcas intermediárias enfrentaram maior pressão.
O consumidor latino alternou escolhas entre economia e consumo ocasional de produtos de maior valor, o que contribuiu para a redução das taxas de recompra de marcas comerciais. Em 2025, os consumidores da região adquiriram, em média, 106 itens de marcas próprias, com crescimento de 5% na frequência de compra.
As preocupações com saúde também ganharam relevância. Produtos com baixo teor ou sem açúcar passaram a integrar o consumo cotidiano, acompanhando a intenção de 46% dos lares latino-americanos de reduzir a ingestão de açúcar. No Brasil, a penetração desses produtos passou de 35% em 2019 para 71% em 2025. No México, o índice avançou de 38% para 67%, e no Equador, de 44% para 74%.
A demanda por proteínas permaneceu elevada, beneficiando categorias associadas à nutrição diária, como iogurtes e produtos funcionais. Segundo a pesquisa, 55% dos lares pretendem manter o consumo de proteínas e 11% planejam aumentar.
O segmento de alimentos para pets também se consolidou como um dos mais resilientes da região. Mudanças demográficas ajudam a explicar o movimento: cerca de 25% da população latino-americana tem 50 anos ou mais, e lares com uma ou duas pessoas representam aproximadamente 20% do total. Nesse contexto, o consumo de produtos para animais de estimação registrou crescimento de 9% em valor e 7% em unidades no último ano.
Para a Worldpanel by Numerator, os dados indicam que o futuro do consumo na América Latina estará menos relacionado ao crescimento populacional e mais à transformação dos lares, das faixas etárias e dos estilos de vida. A empresa avalia que marcas que ajustarem portfólio, canais e execução aos novos padrões de comportamento do shopper tendem a se posicionar de forma mais competitiva em 2026.
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