08/05/2026
Após cinco anos, startup de delivery de alimentos encerra as atividades por falta de capital
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 13/04/2026

Foto: Divulgação
A startup de delivery de alimentos Trela, fundada no auge da pandemia, em 2020, anunciou o encerramento de suas atividades. O comunicado oficial aponta a escassez de recursos para sustentar a operação como o principal motivo da decisão.
Segundo a empresa, mesmo com números expressivos, como a receita anualizada de R$ 85 milhões em março e o crescimento mensal superior a 20% com margem positiva, a conta não fechou para a escala necessária.
“O varejo é um negócio de margens apertadas, que exige alto custo fixo, capital de giro e uma operação complexa. A Trela dependeria de um volume massivo de capital aportado para crescer e ser sustentável no longo prazo”, destacou a Trela em nota.
O impasse no financiamento Diante da impossibilidade de captar uma nova rodada de investimentos, a diretoria optou pela descontinuidade do negócio. A startup afirmou ter buscado parceiros e termos viáveis, sem sucesso. Segundo a nota, a decisão foi tomada de forma responsável, visando honrar compromissos com colaboradores, fornecedores, clientes e investidores.
O caso da Trela ecoa outras saídas recentes do mercado nacional, como a da mexicana Justo, que operou no Brasil entre 2021 e 2024, e a da Mercado Diferente, que encerrou operações também em 2024.
Evolução do modelo de negócio
Criada por Guilherme Nazareth, João Jonk e Guilherme Alvarenga, a Trela iniciou sua jornada automatizando grupos de WhatsApp. No modelo original, a plataforma intermediava pedidos e a logística de entrega ficava a cargo dos próprios produtores. A proposta atraiu pesos-pesados como Softbank, Kaszek, Y Combinator e General Catalyst, resultando em uma rodada Série A de US$ 25 milhões em março de 2022.
Com a normalização pós-pandemia, a startup pivotou o modelo para competir diretamente com players como a Shopper. Em maio de 2023, lançou seu aplicativo próprio e assumiu o controle total da cadeia, desde a curadoria de produtos voltados à saudabilidade até a entrega final via centro de distribuição próprio.
Embate jurídico
O último ano da operação também foi marcado por tensões no setor. Em 2025, a Trela acionou a Justiça contra a Shopper, investida do iFood, alegando práticas anticompetitivas. A acusação sustentava que a concorrente estaria pressionando fornecedores por meio de contratos de exclusividade, dificultando a operação de players menores.
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