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28/05/2026

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João Pereira, VP do Grupo Pereira: reinvenção de formato com “varejo dentro do atacarejo” e "menos do mais do mesmo" no sortimento

POR Alessandra Morita

EM 28/05/2026

JOÃO PEREIRA _ GRupo pereira

Arquivo SA+


O dia 27 de maio dá uma boa ideia dos movimentos estratégicos que o Grupo Pereira tem feito. Ontem, em Chapecó, Santa Catarina, a companhia inaugurava um Fort Atacadista, convertido de uma das lojas adquiridas do Grupo Celeiro. A cerca de 870 km de distância dali, outra inauguração da bandeira acontecia simultaneamente.


A 4ª unidade da empresa no Estado de São Paulo – as demais ficam em Jundiaí, Santos e São Bernardo do Campo – abria suas portas, marcando a entrada nacapital paulista, maior centro econômico do País.


Enquanto tudo isso acontecia, representantes do Grupo Pereira estavam em reunião em outro local para finalizar um negócio de aquisição em andamento pelo Grupo. “Em breve, vocês terão notícias boas sobre novas compras”, contou João Pereira, VP da varejista.


O empresário concedeu entrevista durante a abertura da nova filial de Interlagos, na zona sul da cidade de São Paulo. Ele conversou sobre a chegada à capital, a reinvenção do modelo de atacarejo do Fort Atacadista, que traz o “varejo dentro do atacarejo” e um perfil de “mais sortimento dentro da variedade”, entre outros pontos que marcam tendências para a empresa e para o varejo alimentar como um todo. A seguir, a SA+ traz os principais trechos do bate-papo.

 

Competitividade e ROI na cidade de São Paulo


Que o mercado paulista é altamente competitivo, não há dúvidas. O que torna a chegada à cidade um desafio é principalmente a escassez de terrenos maiores para construção. “Os espaços são muito caros e, às vezes, inviabilizam a operação devido ao retorno do investimento”, comenta Pereira.


Dessa forma, a oportunidade de adquirir o espaço antes ocupado pela C&C caiu como uma luva, mesmo tendo uma população muito diversificada no entorno e sendo menor do que a média de um atacarejo.


Essa característica faz com que o papel da logística ganhe destaque na operação. “Temos pouco espaço de armazenamento, uma vez que priorizados a área de vendas. Por isso, vamos abastecer essa loja a partir de 2 CDs: o de Jacareí e o de Várzea Grande Paulista, que atende o atacado Bate Forte”, explica.

 

Um novo modelo de atacarejo


Com apenas 2.700 m² de área de vendas, o Fort Atacadista de Interlagos é visto pelo Grupo como uma reinvenção do formato. “É o varejo dentro do atacarejo”, enfatiza Pereira.


A experiência na unidade é marcada por novidades, como o conceito de Mercadão Gourmet, que conta com serviço diferenciado de frios (o primeiro da bandeira), uma operação azeitada de açougue, peixaria (a segunda da marca), padaria e o restaurante próprio Trudy’s – tudo integrado em um único espaço, permitindo ao cliente visualizar rapidamente todas as opções oferecidas.



“Percebemos por meio de pesquisas que o cliente da capital é um pouco mais exigente. Por isso, trouxemos mais serviços do que um atacarejo convencional. Acreditamos que dá para replicar com força esse modelo ao qual chegamos para mais lojas”, conta o VP do Grupo Pereira.


Segundo ele, os serviços implementados na unidade devem resultar em um custo maior. Em contrapartida, os diferenciais encontrados pelo consumidor visam gerar um tíquete médio maior para “poder pagar a conta”.


“Pelo que estamos vendo aqui hoje, o cliente está satisfeito e comprando aquilo que não costuma ver em um atacarejo. Então, acho que a receita do bolo ficou arrumadinha”, avalia o empresário.

 

Trabalhar com menos marcas


Um sortimento de 8.500 itens, mas com a sensação de que há muito mais dentro da loja. Essa é mais uma característica que torna o Fort Atacadista Interlagos uma experiência diferente. Trata-se de uma percepção que poucas varejistas conseguem provocar estrategicamente no consumidor. Entre elas, a referência global é a Costco, sediada nos EUA, que opera cerca de 3.500 SKUs acomodados em unidades do formato de clube de compras.


Enquanto muitas lojas no mercado oferecem um grande número de itens parecidos uns com os outros, a nova unidade do Fort Atacadista trabalha com o que João Pereira define como “menos do mais do mesmo.”

“A loja oferece mais sortimento dentro da variedade. É comum uma categoria contar com 5 a 6 marcas. O que estamos fazendo é oferecer 3 marcas com produtos diferenciados. Muitas dessas opções vêm das nossas marcas exclusivas de importação e da nossa marca própria”, comenta o VP do Grupo Pereira.

Lançada junto com a loja paulistana, a Aliatta será posicionada como tendo qualidade igual à da líder e preço entre 12% e 15% inferior. “Dessa forma, poderemos trabalhar com menos marcas no ‘recheio’ da categoria”, explica.  

                                                                           

Previsão de 12 lojas em 2027


Com 64 anos de história, o Grupo Pereira alcançou um faturamento de R$ 17,5 bilhões no ano passado. São mais de 189 unidades de todos os formatos, e a perspectiva é elevar esse número rapidamente.


João Pereira conta que a companhia deverá abrir mais 4 unidades em até 90 dias. A primeira da série será em Porto Alegre. Depois virão Santa Catarina e Mato Grosso. Em junho, mais 4 a 5 lojas iniciarão as obras para serem inauguradas até o final de dezembro. Já para 2027, afirma o empresário, estão previstas cerca de 12 novas lojas.


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