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Maior varejista alimentar do Brasil pode entrar em nova fase sob pressão econômica

POR Barbara Fernandes

EM 24/04/2026

Adobe Stock - Carrefour

Foto: Adobe Stock

 

O desempenho recente do Grupo Carrefour reforça um contraste crescente entre seus principais mercados. A operação no Brasil foi a única entre os três pilares globais, ao lado da França e Espanha, a apresentar retração nas vendas em mesmas lojas (-0,8%) no 1º tri de 2026, enquanto os mercados europeus cresceram 1,4% e 3,1%, respectivamente. O dado chama a atenção por envolver o maior varejista alimentar do Brasil, cuja escala historicamente funcionou como proteção em cenários adversos.

 

A explicação passa, sobretudo, pelo ambiente macroeconômico. Com juros em torno de 15% ao longo de 2025 e no início de 2026, o consumo das famílias, especialmente de baixa renda, segue pressionado. Esse contexto tem impacto direto o volume das vendas, especialmente no atacarejo, segmento central da operação brasileira da companhia por meio do Atacadão.

 

Os sinais dessa pressão já estavam presentes no fim de 2025. No 4º tri, as vendas do Atacadão recuaram 0,4% em mesmas lojas. Por outro lado, o varejo tradicional mostrou maior resiliência. A bandeira Carrefour avançou 1,2% no período, com destaque para alimentos, que cresceram 4,3% graças a estratégias comerciais mais agressivas.

 

No acumulado de 2025, o Brasil ainda sustentou crescimento de 2,6% nas vendas em mesmas lojas, mas com margens pressionadas e impacto relevante do câmbio. O lucro operacional recorrente caiu de EUR 764 milhões para EUR 709 milhões, indicando que o avanço veio mais por disciplina de custos do que por crescimento nas vendas.

 

Já em 2026, apesar da inflação de alimentos ter desacelerado para 2% no 1º tri (ante 4,1% no tri anterior), o efeito sobre a receita foi negativo, já que preços mais estáveis reduzem o crescimento nominal das vendas. Ainda assim, algumas avenidas têm amortecido o impacto. O e-commerce segue em expansão relevante, com alta de 21% no período e ganho de participação de mercado, enquanto o Sam’s Club se destacou com crescimento de 5,7% em mesmas lojas, impulsionado por aumento no número de sócios (membros do clube de compras) e pelo volume.

 

Esse desempenho entre os canais ajuda a explicar por que, apesar da queda consolidada, a operação brasileira ainda é classificada pelo Grupo como resiliente. Há também iniciativas táticas, como o lançamento da marca própria Bulnez, voltada ao consumidor mais sensível a preço, e a continuidade da expansão dos serviços financeiros.

 

No plano global, o movimento do Carrefour reforça uma estratégia clara de concentração geográfica. Entre 2021 e 2026, o Grupo promoveu uma série de desinvestimentos em mercados considerados menos rentáveis ou estratégicos. Deixou Taiwan em 2022, vendeu operações na Itália em 2025 e anunciou sua saída da Romênia e Turquia em 2026. Também houve retração indireta no Oriente Médio, com fechamento de lojas em países do Golfo por meio de seu parceiro regional.

 

Esse redesenho do portfólio global sugere uma aposta em escala e eficiência nos mercados considerados prioritários. E o Brasil, apesar de ser um dos principais vetores de crescimento, passou a representar um ponto de atenção. A combinação de juros elevados, consumo fragilizado e desaceleração inflacionária cria um ambiente em que crescer depende menos de expansão e mais de ganho de volume, que é justamente o elo mais pressionado.

 

A conclusão que emerge é que o Carrefour entra em uma nova fase no país. Se antes o crescimento era impulsionado pela expansão do atacarejo e pela inflação de alimentos, agora dependerá cada vez mais da diversificação de canais, da eficiência operacional e da capacidade de capturar um consumidor mais seletivo. Nesse contexto, o Brasil deixa de ser apenas um motor de expansão e passa a ser o principal laboratório de adaptação do Grupo a um varejo de margens mais apertadas e crescimento mais complexo.

 

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TAGS:Grupo Carrefour,Resultados 1T26,Atacadão,Carrefour
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