19/05/2026
Grupo Mateus foca no Atacarejo 2.0 e na eficiência para rentabilizar operação
POR Ismael Jales
EM 15/05/2026

Foto: Divulgação
O Grupo Mateus definiu o ano de 2026 como o período de foco total na eficiência operacional. Após um ciclo de expansão acelerada, a companhia agora volta o olhar para dentro das unidades de negócio para consolidar o que chama de Atacarejo 2.0. A estratégia visa verticalizar o faturamento e buscar rentabilidade acima de tudo, revisando serviços e categorias dentro das lojas já existentes.
Em videoconferência de resultados do primeiro trimestre de 2026, Wilson Mateus, fundador e presidente do Conselho de Administração, detalhou que a missão atual é uma maratona de avaliação de todas as rotas e unidades. Ele afirmou que a intenção é pensar diferente dentro das categorias que o grupo já trabalha para trazer rentabilidade acima de tudo.
Eficiência sobre volume no televendas
A medida mais marcante para preservar a margem bruta foi o ajuste na operação de televendas, um canal que atende mais de 50 mil pequenos varejos no Nordeste. A companhia identificou que essa venda estava se tornando excessivamente especulativa e destruidora de valor, oferecendo margens muito baixas.
Houve uma redução estratégica no quadro de funcionários dedicados a esse canal para priorizar pedidos com melhores resultados financeiros. Embora a medida tenha pressionado o indicador de mesmas lojas, que recuou 7,3%, a administração acredita que o movimento trará um share mais saudável no longo prazo.
Plano para 2026 é otimizar operação
O Grupo reforçou a visão de que é uma empresa de logística que, por acaso, possui lojas. O plano para 2026 inclui a otimização dos centros de distribuição para separação por unidade, o que permite o abastecimento de formatos menores e mais rentáveis, como as lojas de condomínio da bandeira Armazém.
Além disso, estão sendo estruturadas áreas nos CDs para receber produtos de maior valor agregado, como as linhas de saudabilidade e o segmento de food service. Essa integração logística com o e-commerce e as vendas ponto a ponto visa otimizar a produtividade e diluir os custos operacionais da companhia.
Diferente dos anos anteriores, a abertura de novas lojas passará por um crivo muito mais rigoroso dos setores de engenharia e financeiro. No primeiro trimestre de 2026, o Grupo inaugurou nove lojas, sendo que cinco delas foram focadas especificamente em margem, apresentando estruturas menores e equipes enxutas. A empresa encerrou o período com 228 lojas de varejo alimentar e 288 unidades da bandeira Armazém, totalizando 516 pontos de venda. A meta é que as novas unidades, situadas em bairros com faturamento relevante para o porte da operação, já nasçam com alta eficiência operacional.
Integração de sistemas
Um dos pontos altos do trimestre foi a conclusão do processo de integração tecnológica e operacional com o Novo Atacarejo. A companhia direcionou uma energia significativa para unificar os sistemas de gestão, um movimento que culminou em março com a virada tecnológica em todos os centros de distribuição e lojas de atacarejo.
Com a estrutura única de logística, comercial e financeira, a administração projeta capturar sinergias de execução que antes estavam limitadas pela duplicidade de processos. Esse fôlego operacional é visto como essencial para atravessar o cenário de consumo retraído, permitindo que a empresa foque agora em extrair o melhor dos dois modelos de negócio.
Cenário macroeconômico e resultados financeiros
Jesuíno Martins, CEO da empresa, ressaltou que o cenário segue pressionado pelo endividamento das famílias e pela deflação em commodities no Nordeste. Categorias essenciais como o arroz registraram queda de 32% no mercado regional, enquanto o açúcar recuou mais de 20%.
Apesar desses desafios, o Grupo Mateus alcançou uma receita bruta de R$ 10,7 bilhões no trimestre, um crescimento de 13% impulsionado pela consolidação das operações nos estados de Pernambuco, Paraíba e Alagoas. O lucro bruto subiu 16%, atingindo R$ 2,15 bilhões, com a margem bruta consolidada avançando para 22,9%. O lucro líquido no período totalizou R$ 213 milhões.
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