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16/06/2026
Raio-X do varejo de alimentos em Portugal: o que o mercado europeu ensina sobre eficiência
POR Ismael Jales
EM 12/06/2026

Foto: Supermercado Continente (Divulgação)
O varejo alimentar em Portugal transformou-se em um verdadeiro laboratório de tendências para o continente europeu. Atendendo a uma população de cerca de 10,5 milhões de habitantes, o setor consolidou um ecossistema altamente competitivo e dinâmico.
O avanço do período foi impulsionado de forma consistente pela recuperação do consumo doméstico, pelo crescimento populacional e pelos sucessivos recordes registrados no turismo local. Com isso, o país garantiu uma das operações mais resilientes da Europa, movimentando um faturamento de 19,2 bilhões de euros.
Em termos de ritmo de mercado, o crescimento real do varejo português atingiu o patamar de 2,3%. O índice chamou a atenção por ser cinco vezes superior à média de avanço da União Europeia, que fechou o período em apenas 0,5%.
Por trás desse desempenho ficou evidente um perfil de consumidor bastante complexo e híbrido. Ao mesmo tempo em que atuou como um caçador de promoções focado em preços baixos, o cliente não abriu mão da conveniência de comércios de bairro e exigiu produtos frescos de alta qualidade.
Essa busca pelo equilíbrio moldou a realidade do setor. De um lado, as marcas próprias ganharam um protagonismo inédito nas gôndolas e passaram a representar 47,7% do faturamento total do mercado local.
De outro, o país registrou uma expressiva retração de 13,9% no e-commerce alimentar no fechamento de 2025. O dado contrariou o movimento de outros mercados globais e reforçou o domínio das lojas físicas na rotina diária de compras da população.
Dados e proximidade sustentaram a expansão do Continente
O Continente seguiu firme na liderança isolada do setor, posição que começou a desenhar em 1985 quando introduziu o formato de hipermercado no país. A unidade de varejo do Grupo Sonae estruturou sua operação com foco em eficiência logística, proximidade e forte inteligência de dados.
A estratégia rendeu frutos expressivos e permitiu à varejista ampliar sua participação de mercado para 27,5% na consolidação de 2025. O crescimento físico da marca atingiu o marco simbólico da abertura de sua loja de número 400 em julho daquele ano.
A expansão da empresa teve como principal motor o formato Continente Bom Dia, focado em bairros e conveniência diária. Em termos financeiros, o braço alimentar do grupo faturou 7,1 bilhões de euros, apresentando um crescimento de 10% e mantendo uma margem Ebitda de 10,2% por meio de rigorosos controles e ganhos de produtividade.
Os planos traçados pela companhia preveem a abertura de cerca de vinte unidades por ano para alcançar o patamar de 500 lojas até 2030. No pilar de inovação, a rede implementou lojas autônomas operadas por inteligência artificial em Leiria e estendeu a aceitação de pagamentos via Pix para dezoito filiais estratégicas, de olho no público brasileiro.
Pingo Doce virou referência em refeições prontas e conveniência
O Pingo Doce, controlado pelo Grupo Jerónimo Martins, consolidou sua marca sob o conceito de especialista em alimentação. Em vez de focar em grandes hipermercados, a empresa priorizou de forma cirúrgica a conveniência nas áreas urbanas.
A expansão da rede foi conduzida com precisão, dando preferência para a modernização das lojas atuais. No período analisado, a companhia exibiu uma capilaridade notável no setor com 497 unidades operacionais, que responderam por uma fatia de mercado de 21,7% e faturamento de 5,3 bilhões de euros.
O grande motor de atratividade da bandeira esteve nas soluções de refeições prontas. A rede gerenciou mais de 250 restaurantes dentro de suas lojas, abastecidos por cozinhas centrais que garantiram um padrão rígido ao serviço de comida para levar.
As marcas próprias da empresa também mantiveram forte prestígio, com foco constante em saudabilidade e melhorias nutricionais. Para fidelizar os consumidores no ambiente promocional de Portugal, a rede apostou nos benefícios do cartão Poupa Mais, que oferece vantagens cruzadas em postos de combustível.
Experiência e alta renda impulsionaram os números do El Corte Inglés
Enquanto as principais redes disputaram o mercado de massa, o grupo espanhol El Corte Inglés operou de forma consolidada no topo da pirâmide do varejo alimentar de Portugal. A proposta de valor da marca ignorou as disputas tradicionais de preços.
O foco da empresa esteve direcionado para a exclusividade, curadoria de excelência e atendimento diferenciado para turistas e públicos de alto poder aquisitivo. A estrutura física foi desenhada com dois grandes armazéns de departamento localizados em Lisboa e em Vila Nova de Gaia, na região do Grande Porto.
A marca operou ainda a bandeira Supercor, um formato voltado para a vizinhança de padrão elevado que contou com seis lojas estratégicas. Os espaços trouxeram seções sofisticadas como adegas selecionadas e o Club del Gourmet, além de passarem a aceitar pagamentos via Pix para o público brasileiro.
No encerramento de seu último exercício financeiro apresentado, o El Corte Inglés registrou receita anual de 622 milhões de euros e um salto de 33% no lucro líquido. Os resultados foram impulsionados pela modernização de sua plataforma de comércio eletrônico, que passou a focar em experiências hiperpersonalizadas.
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