ÚLTIMAS NOTÍCIAS
21/09/2026
Amazon e Whole Foods: integração eleva o tíquete e atrai novos públicos, mas esbarra no desconhecimento do cliente
POR Reportagem SA+ Conteúdo
Publicado em:

Foto: Divulgação
Nove anos após a aquisição da rede de supermercados Whole Foods pela Amazon, o consumidor norte-americano ainda pensa nas duas marcas de forma isolada. Embora a estratégia de integração de canais seja um tema central no varejo, o comportamento prático do cliente mostra que a sinergia física e digital avança mais rápido nos carrinhos do que na percepção pública.
Uma pesquisa recente realizada pela consultoria Numerator revelou que apenas 39% dos clientes nos EUA têm consciência de que a Amazon é a proprietária da Whole Foods. Os outros 61% desconhecem o vínculo ou não entendem como as duas marcas operam juntas.
Apesar do baixo nível de conhecimento sobre a estrutura corporativa, os números operacionais indicam que a base de clientes híbridos está se consolidando. Mais de 17 milhões de lares estadunidenses compraram em ambas as varejistas nos últimos 12 meses, considerando a janela encerrada em 30 de abril. Esse volume representa um crescimento de 55% em comparação a 2019. O gasto médio anual por lar nessas duas bandeiras combinadas ultrapassa os US$ 1.300, impulsionado por categorias de alto giro como mercearia, higiene e beleza, limpeza e pet shop.
O impacto do conhecimento da parceria no comportamento de compra
O estudo traz um indicador para as áreas de marketing e inteligência de mercado, apontando que o conhecimento da parceria atua de forma positiva na percepção institucional. Ao serem informados sobre a conexão entre as empresas, 27% dos consumidores afirmaram que sua imagem em relação à Whole Foods melhorou, enquanto 15% relataram uma piora. Do lado da companhia de tecnologia, 26% passaram a ver a Amazon de maneira mais positiva e apenas 5% registraram uma mudança negativa.
Para os respondentes, os benefícios práticos mais percebidos dessa união são a conveniência física-digital, medida pelas entregas rápidas e pedidos online, e a integração com o programa de assinatura Amazon Prime dentro das lojas físicas. Um total de 32% dos entrevistados, contudo, apontou que a integração não altera sua rotina de compras.
Essa engrenagem funciona de forma mais acentuada quando recortada pelo fator geracional e regional. Entre os jovens da Geração Z, 37% afirmaram que estão mais propensos a comprar na Whole Foods sabendo do ecossistema Amazon, índice que cai para 24% entre os boomers.
Nas grandes metrópoles, a adesão dita o ritmo, já que 30% dos clientes urbanos planejam ativar descontos da Amazon nas lojas da Whole Foods nos próximos três meses, 23% pretendem utilizar os supermercados como pontos de logística reversa para a devolução de pacotes e 16% querem abastecer a despensa diretamente pelo site da gigante de tecnologia.
O debate sobre a extensão do sortimento nas lojas físicas
Visando aproveitar a força de sua malha logística, a Amazon começou a testar em algumas unidades da Whole Foods o conceito de loja dentro da loja. Por meio de totens digitais, o cliente pode comprar marcas nacionais tradicionais de grande consumo, que são itens que historicamente não entram no sortimento focado em produtos naturais da Whole Foods, e retirá-las de forma expressa no local.
Essa movimentação gerou visões divididas entre os consumidores sobre o posicionamento da marca. Pelo lado da praticidade, metade dos clientes considera que a inclusão dessas marcas tradicionais torna a Whole Foods mais funcional para o abastecimento do dia a dia e 40% dizem que a iniciativa os faz se sentir mais incluídos no perfil da loja.
Em contrapartida, há um impacto direto na identidade da bandeira. Exatamente 50% dos entrevistados acreditam que a mudança faz a rede perder sua exclusividade, assemelhando-se a um supermercado comum, enquanto 46% apontam que a iniciativa faz a bandeira parecer menos fiel aos seus critérios originais de saudabilidade.
O cenário serve como referência para o varejo alimentar em geral. Na busca por eficiência logística e aumento de tíquete médio através da extensão de sortimento, as empresas enfrentam o desafio de calibrar o limite da inovação para manter a proposta de valor que construiu a lealdade do seu público principal.
Notícias relacionadas
CarrefourCarrefour lança novo formato de proximidade na Bélgica em parceria com distribuidora local
Varejo InternacionalLições do varejo português que inspiram os negócios no Brasil
Grupo PandurataStefano Mozzi é o novo CEO da Bauducco
Missão Lisboa







