06/11/2026
Relatório da IGD aponta 7 desafios para o varejo alimentar em 2027
POR João Fernandes
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Diante do cenário atual, o relatório internacional Global Retail Trends 2027, da IGD, identificou sete desafios para o varejo alimentar no próximo ano. Eles vão desde um entendimento mais profundo das mudanças no comportamento do consumidor até as dificuldades crescentes de abastecimento, e merecem atenção do setor. São eles:
1 - Mudanças climáticas e impactos na operação: a instabilidade do clima tende a complicar o abastecimento, a distribuição e o planejamento dos supermercados. Isso exige cadeias de suprimentos mais adaptáveis e investimentos em logística e refrigeração.
2 - IA nas compras: a chamada IA agêntica, capaz de pesquisar produtos, comparar preços e comprar em nome do consumidor, deve mudar a relação entre supermercados e clientes e demandar infraestrutura digital e gestão de dados.
3 - Pressão sobre a rentabilidade e novas receitas: com margens espremidas, o varejo precisará diversificar suas fontes de receita. O retail media, que transforma canais digitais e espaços físicos das lojas em plataformas de publicidade, desponta como uma das principais alternativas.
4 - Transformação das lojas de conveniência: o modelo de pequeno supermercado deve perder espaço para lojas voltadas ao consumo imediato, com mais refeições prontas, bebidas e serviços de alimentação. A mudança implica ajustes em sortimento, processos e estrutura.
5 - Hábitos mais saudáveis e GLP-1: o avanço dos medicamentos da classe GLP-1 e a maior preocupação com saúde e prevenção devem alterar o consumo de certas categorias, o que pede revisão de estoques, espaços de exposição e estratégias comerciais.
6 - Mudanças demográficas e diversificação do consumo: migração, diversidade cultural e influência das redes sociais ampliam a procura por alimentos de diferentes países. O desafio é adaptar o portfólio e enxergar oportunidade em categorias antes tratadas como nicho.
7 - Redução do desperdício e controle de custos operacionais: com crescimento mais lento e recursos mais pressionados, cortar perdas de alimentos passa a ser prioridade financeira. O estudo recomenda investir em previsão de demanda, gestão de estoques, inteligência artificial e processos mais eficientes.
Nesse último item, a atenção deve ser redobrada: a margem média do setor é de cerca de 2,5%, e aproximadamente 75% dos custos correspondem ao custo da mercadoria vendida. Isso significa que todo ganho de eficiência e produtividade faz diferença na última linha do balanço.
"Qualquer ação que você faça tem um resultado, positivo ou negativo, muito forte e direto na margem", afirma Sami Diba, CEO da NEO Estech. Veja a seguir alguns dos cuidados que podem ser tomados, segundo o empresário.
Olhar para a conta de energia como risco climático
Pela experiência do executivo com redes de supermercados, cada 1 °C de variação equivale a cerca de 3% a mais na conta de energia, tanto quando a temperatura externa sobe quanto quando alguém baixa o ajuste (set point) do ar-condicionado interno, de 23 °C para 22 °C, por exemplo.
Em julho, Brasília registrou média de 4 °C acima do normal, o que representa em torno de 12% de consumo adicional. Como a energia costuma pesar cerca de 2,5% do faturamento, valor próximo ao da margem líquida, uma variação de 12% no consumo mexe com o lucro na mesma proporção.
A recomendação é acompanhar as previsões de temperatura para ajustar o uso de ar-condicionado e refrigeração, manter os equipamentos em dia e comparar o consumo entre lojas, criando referências internas (benchmarks).
"Quem não fez ações nem monitoramento, comparando lojas e criando benchmarks, está pagando mais", diz Diba.
Monitorar a cadeia do frio de forma contínua
As perdas representam cerca de 1,8% do faturamento no mercado, e aproximadamente 60% disso são produtos perecíveis. A Anvisa exige duas a três medições de temperatura por dia, mas o acompanhamento em intervalos de cinco minutos reduz a margem de erro humano e permite reagir de imediato.
Análises preditivas, com ou sem inteligência artificial, também ajudam. Segundo o executivo, é possível identificar com três a quatro dias de antecedência falhas de equipamentos, o que dá tempo de agir antes de uma quebra ou da interrupção da refrigeração.
A IA pode ainda extrair informação do que já existe na loja, sem sensores adicionais. A temperatura do salão de vendas indica se o ar-condicionado está ligado, e a temperatura de uma câmara fria revela se a porta ficou aberta.
Cobrir os "buracos" deixados pela nova jornada
Para Diba, o ponto crítico na discussão sobre o fim da escala 6x1 não é a escala em si, que pode ser adequada, mas a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, que significa cerca de 9% menos disponibilidade de mão de obra. Entre as alternativas discutidas por redes, estão fechar lojas aos domingos, ampliar o tempo de fechamento ou manter parte das unidades abertas.
"Quando você soma isso à possibilidade de perder mercadoria, o risco é potencializado", avalia. Mais horas com a loja sem ninguém olhando para os equipamentos aumentam a exposição a falhas, o que reforça a necessidade de alertas automáticos nesses períodos.
Adaptar o controle às refeições prontas
A tendência de comida pronta e refeições rápidas, que o relatório associa à conveniência, não se restringe a esse formato. Esses produtos têm validade menor e exigência sanitária maior.
Enquanto em produtos lacrados a checagem de temperatura é feita duas vezes ao dia, na comida pronta ela deve ocorrer a cada duas horas. Muda o produto monitorado, mas a lógica de acompanhamento é a mesma.
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