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24/09/2026
Sucessão exige mais do que escolher quem ficará no comando
POR Barbara Fernandes
Publicado em:

Trocar o comando de uma empresa familiar está longe de ser apenas uma decisão sobre quem ocupará a cadeira de presidente. Antes de definir o sucessor, é necessário entender algumas questões.
Para Rodrigo Pecchiae, especialista em governança corporativa de família, três perguntas ajudam a iniciar a discussão:
- Qual é o propósito da empresa
- Quais são seus planos para o futuro
- Onde a família quer chegar com a companhia?
A partir dessas respostas, a sucessão pode deixar de ser uma simples troca de posições e passar a fazer parte de um planejamento mais amplo.
Outro desafio está no encontro entre gerações. De um lado, estão a experiência e os aprendizados acumulados por quem construiu o negócio. Do outro, a disposição dos sucessores para inovar e imprimir novas perspectivas à companhia.
“É preciso combinar a ousadia e a inovação dos mais novos com a experiência e aprendizados do sucedido. Não há necessidade de abrir mão de nenhum dos lados. Mas sim mesclar ambos e dar tempo para a maturidade”, afirma Pecchiae.
Quem mais precisa se preparar?
A mudança de comando também afeta a estrutura executiva. José Barral, conselheiro de varejistas como Nordestão e Mercadinhos São Luiz, chama atenção para profissionais que permanecem décadas na empresa e que também precisam entender seu papel diante da transição.
“Não é apenas sobre o presidente. É preciso olhar também para diretores que estão há 20 ou 30 anos no cargo e como eles vão se preparar numa sucessão”, avalia.
Isso porque a mudança pode alterar responsabilidades, expectativas e até o grau de ambição das pessoas dentro da organização. O sucessor precisará lidar com as pressões da nova posição sem deixar de reconhecer a equipe que participa da gestão. Já familiares que não assumirem o comando podem encontrar espaço em outras estruturas, como conselhos.
A preparação, portanto, precisa ser ampla e considerar não apenas quem assumirá a liderança, mas também as pessoas e relações que sustentam a empresa.
O sucedido também precisa estar preparado
Um dos tabus relacionados à sucessão é tratar o processo como sinônimo de saída definitiva. Para Pecchiae, a transição pode ser construída de outra maneira, preservando o conhecimento de quem está deixando a gestão cotidiana e transformando sua experiência em um ativo para a próxima geração.
A ideia é que o sucedido passe progressivamente de protagonista da operação a uma posição mais estratégica, como a de conselheiro. Dessa forma, o conhecimento acumulado continua disponível enquanto o sucessor ganha segurança e autonomia para assumir o comando.
Essa combinação entre experiência e renovação, preparação técnica e relacionamento entre gerações está no centro da discussão sobre sucessão no varejo alimentar.
É também a
proposta da Missão Gerações, programa da SA+ em parceria com o Insper e
a Nova School of Business & Economics, criado especificamente para líderes
atuais e sucessores executivos do setor. A jornada combina formação,
experiências práticas, networking e uma etapa internacional em Portugal para
discutir temas como governança, planejamento sucessório, liderança e
continuidade dos negócios.
Mais do que preparar quem vai assumir, a discussão mostra que uma sucessão bem estruturada precisa preparar a empresa inteira para a mudança. E isso começa muito antes da passagem definitiva do bastão.
Saiba mais e inscreva sua empresa na Missão Gerações.
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Barbara Fernandes
Repórter








