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30/03/2026
Bets superam crédito e juros como maior motor de endividamento das famílias; varejo sente o golpe
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 30/03/2026

Foto: Adobe Stock
O avanço desenfreado das apostas online, as chamadas "bets", atingiu um novo e preocupante patamar na economia brasileira. Segundo um estudo inédito realizado pelo Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo) em parceria com a FIA Business School, as plataformas de apostas se tornaram o principal fator de endividamento das famílias no Brasil em 2026, ultrapassando o impacto somado do crédito e das taxas de juros.
Para o varejista, o dado acende um alerta vermelho: não se trata apenas de uma mudança de hábito, mas de uma transferência direta de renda do setor produtivo para o jogo, comprometendo a capacidade de compra e a adimplência do consumidor nas gôndolas.
O peso do "fator bet" no bolso
A pesquisa utilizou uma metodologia que analisa quatro pilares do endividamento: crédito em relação à renda, juros ao consumidor, tempo de endividamento e gastos com apostas. O resultado mostra que o coeficiente de impacto das bets (0,2255) é significativamente maior do que o do crédito (0,0440) e o dos juros (0,0709).
"O padrão sugere um deslocamento de recursos de atividades produtivas e poupança de longo prazo para apostas de retorno esperado negativo", analisa Claudio Felisoni, presidente do Ibevar.
Reflexos diretos no consumo e inadimplência
O endividamento causado pelo jogo tem efeito cascata no varejo alimentar e de eletroeletrônicos. Com o comprometimento da renda atingindo o recorde de 29,2%, o consumidor é forçado a fazer escolhas:
• Redução do ticket médio: Itens de maior valor agregado e até produtos básicos começam a sair do carrinho.
• Aumento da inadimplência: A taxa de consumidores com contas atrasadas subiu de 5,6% para 6,9% em apenas um ano, reflexo direto do descontrole financeiro gerado pelas plataformas online.
• Migração de canais: O uso do cartão de crédito para apostas — prática que o setor varejista defende que seja proibida — tem criado uma "bolha" que ameaça a saúde financeira do ecossistema de consumo.
Fonte: UOL
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