30/03/2026
Canal digital ainda é a grande fronteira para elevar as margens do varejo alimentar
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 30/03/2026

Foto: Adobe Stock
O varejo alimentar brasileiro chegou a um divisor de águas em 2026. Se por um lado a expansão física de atacarejos e lojas de proximidade segue no radar, é no ambiente digital que reside a oportunidade mais clara de elevação de margens. Segundo dados recentes, as vendas online do setor já movimentaram mais de R$ 90 bilhões, mas o potencial de avanço ainda é vasto, especialmente quando olhamos para a participação do e-commerce no faturamento total das grandes redes.
Diferente dos anos de "corrida pelo crescimento" vistos na pandemia, o foco agora é a eficiência operacional. A reportagem do Valor Econômico destaca que as empresas ainda têm margem considerável para avançar, migrando de um modelo de entrega puramente logístico para uma estratégia de ecossistema.
Onde está o ganho de margem?
Para o varejista que busca rentabilizar a operação, o digital deixou de ser apenas um "serviço de conveniência" para se tornar uma alavanca de lucro por três frentes principais:
1. Retail Media: A digitalização do shopper permite que o supermercado monetize sua audiência. O investimento da indústria em publicidade dentro dos apps e sites de varejo possui margens significativamente superiores à venda de produtos, transformando o e-commerce em um veículo de mídia de alta conversão.
2. Otimização do Mix e Personalização: Através da inteligência de dados, as redes conseguem oferecer o item certo para o shopper certo, reduzindo a dependência de promoções agressivas que corroem o lucro. O algoritmo trabalha para elevar o ticket médio com base em recorrência, e não apenas em preço baixo.
3. Eficiência Logística (Last Mile): O amadurecimento das malhas de entrega e o uso de dark stores estão permitindo que o custo de servir (cost-to-serve) diminua. Em 2026, a tecnologia de roteirização e a integração de estoques em tempo real são diferenciais que protegem a margem da última milha.
O desafio da execução
Apesar do otimismo, o avanço exige uma mudança de mentalidade. "Muitos varejistas ainda tratam o online como um apêndice da loja física. Para elevar margens, é preciso entender que o digital exige processos próprios — do picking à precificação dinâmica", aponta a análise.
As gigantes do setor já perceberam que, enquanto o canal físico enfrenta a pressão da alta de custos e da saturação de pontos em certas regiões, o digital oferece escalabilidade com ativos mais leves.
A mensagem para o setor é clara: o volume de R$ 90 bilhões é apenas o começo. Quem conseguir integrar o PDV físico com uma jornada digital fluida e proprietária não só ganhará em market share, mas terá uma operação estruturalmente mais rentável.
Fonte: Valor Econômico
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