22/05/2026
E-commerce no varejo alimentar segue em ascensão e redefine as estratégias das gigantes do setor
POR Barbara Fernandes
EM 22/05/2026

Foto: Gemini
As vendas online seguem ganhando espaço no varejo alimentar brasileiro. Para se ter uma ideia, um levantamento da consultoria IMARC Group aponta que as compras digitais em supermercados ultrapassaram R$ 90 bilhões no Brasil em 2025, com expectativa de crescimento anual de 16% nos próximos anos.
O movimento é reforçado pelo estudo Varejo em Movimento, realizado pela Scanntech em parceria com a McKinsey, que mostrou que o e-commerce alimentar cresceu 4x mais do que o varejo físico no 3º trimestre de 2025. Ao mesmo tempo, a APAS apontou que 48% dos supermercados paulistas já operavam com e-commerce em 2025, ante 32% em 2023. O delivery também avançou e já está presente em 42% dessas lojas.
Maior varejo alimentar do Brasil tem parte do crescimento sustentado pelo e-commerce
No Carrefour Brasil, as vendas digitais representaram 15% da operação em 2025. A companhia concentrou sua estratégia no modelo de in-store picking, no qual os pedidos são separados diretamente nas lojas. Atualmente, 91% das vendas digitais do Grupo saem das unidades físicas, enquanto apenas 9% partem de centros de distribuição.
Já no 1º trimestre de 2026, a operação digital da empresa cresceu 21% no Brasil e ajudou a compensar o desempenho mais moderado das lojas físicas diante da desaceleração da inflação alimentar.
Assaí firma parcerias e dobra vendas last mile
Em parceria com o iFood, o Assaí registrou crescimento de 62% nas vendas via last mile no 4º trimestre de 2025. De forma semelhante, no 1T26 as vendas nessa modalidade mais do que dobraram em comparação com o mesmo período de 2025, com alta de 101%, enquanto o número de lojas atendidas passou de 56 para 104 unidades.
O aplicativo Meu Assaí também ganhou relevância dentro da estratégia digital da companhia. Clientes identificados pelo app apresentaram frequência de compra 50% superior e tíquete médio 28% maior do que consumidores não identificados.
Outro destaque foi a parceria firmada com o Mercado Livre para comercialização de 400 itens não perecíveis pela plataforma de marketplace.
GPA prioriza canal próprio para vendas online e fecha 1T26 com R$ 524 milhões
No GPA, o foco passou a ser menos expansão e mais rentabilidade. Durante o 1º trimestre de 2026, a companhia reduziu sua exposição a plataformas de terceiros e priorizou o canal próprio. Com isso, as vendas digitais recuaram 7,7%, para R$ 542 milhões, mas a estratégia contribuiu para melhora da margem operacional e avanço da participação do canal próprio nas vendas totais.
Pressão competitiva e mudanças nas estratégias do varejo alimentar dentro do canal digital
O digital deixou de ser apenas um serviço complementar e passou a funcionar como plataforma de geração de valor. Além da venda de produtos, redes supermercadistas ampliam receitas com retail media, monetização de aplicativos e personalização de ofertas baseada em dados de consumo. O uso de inteligência analítica também ajuda a elevar tíquete médio e recorrência sem depender exclusivamente de promoções agressivas.
Independentemente da estratégia adotada, o e-commerce já se consolidou como um dos principais vetores de crescimento do setor. Enquanto algumas redes aceleram expansão e conveniência, outras priorizam rentabilidade e fortalecimento do canal próprio, mas todas caminham para uma integração cada vez maior entre operação física e digital.
Apesar da relevância das lojas físicas para abastecimento, experiência de compra e capilaridade logística, o online deve continuar em ascensão nos próximos anos, impulsionado pela mudança de comportamento do consumidor, pelo avanço do delivery e pela pressão competitiva de marketplaces. Nesse cenário, eficiência operacional, uso inteligente de dados e capacidade de personalização tendem a definir quais redes conseguirão transformar crescimento digital em ganho sustentável de margem e fidelização.
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Barbara Fernandes
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