Por que a recuperação judicial do Grupo Ricoy não evitou a falência?SA+ Ecossistema de Varejo

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Pesquisa mostra queda nas vendas por unidade desde 2024

02/09/2026

NEWSLETTER

Por que a recuperação judicial do Grupo Ricoy não evitou a falência?SA+ Ecossistema de Varejo


SA+

SA+ Aconselhamento

SA+ Educação

SA+ Trade

SA+ Internacional

SA+ Tech

SA+ Relacionamento

SA+ Conteúdo

SA+ Inteligência

SA+ Branded Content

Voltar para a página inicial

Home

Acesse todas as notícias

Notícias

Navegue pelas categorias do Solução Sortimento

Solução Sortimento

Acesse nossa seção Prateleira

Prateleiras

Navegue por todas as edições

Revistas

Gestão e negóciosSupermercado Ricoy Recuperação judicial CriseGrupo RicoyFalência

Por que a recuperação judicial do Grupo Ricoy não evitou a falência?

POR Barbara Fernandes

Publicado em:

Supermercado Ricoy
Supermercado RicoyFoto: Divulgação

A decretação da falência do Grupo Ricoy, no dia 28 de agosto de 2026, encerrou uma trajetória de 32 anos no varejo alimentar paulista. Embora a sentença da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo tenha surpreendido alguns consumidores, o mercado vinha acompanhando uma série de sinais de que o plano de reestruturação enfrentava severas dificuldades de viabilização.

 

Mais do que o fim de uma tradicional rede, o desfecho do caso Ricoy traz lições fundamentais sobre o funcionamento e os limites de uma Recuperação Judicial (RJ) no setor de varejo alimentar.

 

Os sinais precoces de uma contagem regressiva

 

Embora a RJ seja desenhada para dar fôlego a negócios em crise, o sucesso do processo depende de indicadores operacionais que vão muito além da proteção jurídica. Para Sandro Benelli, professor de governança da FGV e conselheiro de empresas, no caso do Grupo Ricoy, três fatores apontavam para uma rota de colisão desde o início do pedido de reestruturação:

 

1º – Faturamento abaixo do ponto de equilíbrio declarado na petição inicial, que já indicava que o plano dependeria de dinheiro novo;

2º – Arquitetura do plano, apoiada na venda de unidades produtivas isoladas e captação de novos financiamentos sem comprador identificado nem financiador contratado, o que na prática é uma intenção, não uma estrutura;

3º – Composição do passivo: R$ 385,9 milhões concentrados em 653 credores da Classe III, majoritariamente fornecedores. 

 

Segundo o professor, esse terceiro ponto é específico do varejo alimentar e costuma ser subestimado. “A mercadoria na gôndola é financiada pelo fornecedor, então quando ele perde a confiança e corta o crédito, a prateleira esvazia em semanas, a venda cai, o caixa some e o plano perde a base que sustentava as projeções”, explica. 

“Em setor de margem apertada e giro alto, a recuperação judicial precisa começar com o fornecedor dentro. Sem isso, o processo vira uma contagem regressiva" – Sandro Benelli, professor de governança da FGV e conselheiro de empresas.

Essa visão é complementada por Guilherme Giussani, diretor técnico da CEMAAC-ACSP (Câmara de Mediação e Arbitragem da Associação Comercial de São Paulo), que aponta que o insucesso da reestruturação é resultado de uma combinação de fragilidades acumuladas.

 

"Não existe um indicador isolado que antecipe o fracasso de uma recuperação, mas o acúmulo de sinais como consumo persistente de caixa, queda de faturamento, fechamento de unidades, dificuldade de capital de giro, deterioração da relação com fornecedores e credores e problemas de transparência."

 

O contraste estratégico: Grupo Ricoy vs Dia Supermercados

 

Por que algumas redes de supermercados em dificuldades conseguem avançar em seus planos enquanto outras caminham para a falência? Apesar das especificidades de cada caso, há algumas decisões estratégicas que podem impactar o sucesso de uma reestruturação. Para efeito de comparação, podemos analisar algumas das ações do Grupo Ricoy e do Dia Supermercados.

 

O Dia adotou uma abordagem cirúrgica e prévia de corte de ativos, fechando 343 de suas 587 lojas e três centros de distribuição para focar sua operação em São Paulo antes de iniciar as negociações. “Eles mantiveram o formato de proximidade com marca própria e apresentaram aos credores um perímetro definido, com metas verificáveis e um controlador disposto a bancar a transformação”, avalia Benelli.

 

Já o Ricoy, segundo ele, encolheu por atrito e não por projeto. “As lojas foram fechando durante o processo, sem que ninguém soubesse qual seria a rede remanescente ao final. O credor do Dia sabia o que estava financiando. O credor do Ricoy foi perguntar e não recebeu resposta”, conclui o professor. 

 

Giussani, da ACSP, explica que embora cada caso possua características singulares, a essência do sucesso de uma reestruturação reside na viabilidade real do negócio que permanece operando. "Estrutura da dívida, geração de caixa, ativos, capacidade operacional e relação com os credores ajudam a explicar por que empresas do mesmo setor, como Ricoy e o Supermercado Dia, podem seguir trajetórias distintas”, pontua.

 

“Mais importante do que a duração do processo ou mesmo a aprovação de um plano é verificar se existe uma operação economicamente sustentável e capacidade concreta de cumprir a reestruturação proposta", afirma o diretor.

 

Os limites da lei: A Recuperação Judicial não cria viabilidade por si só

 

A falência do Grupo Ricoy também joga luz sobre um debate conceitual importante: a recuperação judicial não é uma ferramenta milagrosa para reerguer empresas. Ela exige, antes de tudo, um pacto de transparência que preserve a confiança entre devedores e credores.

 

"A RJ é um instrumento de negociação coletiva que só funciona enquanto o credor acredita que os números que recebe são verdadeiros”, pontua Benelli. No caso do Ricoy, as inconsistências de informações, a interrupção na entrega de documentos contábeis essenciais e as suspeitas sobre o direcionamento de recebíveis de cartões fora da recuperação criaram barreiras intransponíveis, segundo o professor.

 

Por sua vez, Giussani afirma que o caso do Ricoy evidência que a recuperação judicial é um instrumento destinado à preservação de empresas economicamente viáveis, mas não é capaz, por si só, de criar viabilidade ou restabelecer a confiança dos credores. 

“Quando há deterioração da operação, dificuldade de geração de caixa e ausência de apoio para uma solução negociada, o espaço para uma reestruturação sustentável se reduz significativamente" – Guilherme Giussani, diretor técnico da CEMAAC-ACSP

Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da ACSP, complementa que as ferramentas financeiras de proteção não conseguem anular a necessidade básica de a empresa operar de forma saudável e competitiva no mercado. "Quando o core business perde a capacidade de atrair consumidores e cobrir seus custos diretos, a reestruturação financeira se torna inócua."

“A rejeição do plano de recuperação pelos credores e o encerramento factual das atividades do Grupo Ricoy confirmaram a inviabilidade do negócio, culminando na decretação de falência pela Justiça como medida necessária para estancar a sangria de ativos e preservar o valor remanescente para os credores" – Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da ACSP

Se aprofunde mais nesse assunto:


Quer saber detalhes do processo que levou o Grupo Ricoy à falência? Clique aqui e leia a matéria completa com análises de especialistas.

Outras empresas do setor como GPA, St Marche e Dia passaram ou estão passando por porcessos de Recuperação. Entenda mais sobre cada um deles. 

Veja também: As diferenças entre Recuperação Judicial e Extrajudicial e como evitar chegar nesse ponto

COMPARTILHAR
TAGS:Gestão e negócios,Supermercado Ricoy, Recuperação judicial, Crise,Grupo Ricoy,Falência
COMPARTILHAR:

Ícone Notícias relacionadas

Ricoy SupermercadoGestão e negócios

O fim do Grupo Ricoy: da recuperação judicial à falência

Sede do GPAGPA

GPA faz esclarecimentos em relação ao posicionamento do MPSP sobre seu plano de recuperação

SuperDia AtacadoGrupo Ítalo

Grupo Ítalo inaugura SuperDia Atacado em Ampére (PR)

Grupo PandurataGrupo Pandurata

Stefano Mozzi é o novo CEO da Bauducco

Barbara Fernandes

Repórter

Comentários

Ícone Envie seu comentário

Ícone Siga-nos

Logo SACONTATO@SAMAIS.COM.BR
instagramfacebook4linkedin
Logo Cinva

© Somos uma marca do CINVA (CENTRO DE INTELIGENCIA E NEGOCIOS DO VAREJO - CINVA LTDA). © 2023 SA+ Ecossistema de Varejo. Todos os direitos Reservados