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23/02/2026
Ruptura de produtos essenciais cresce 11,2% em novembro
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 29/12/2025

Foto: Adobe Stock
O Índice de Ruptura da Neogrid, que acompanha a indisponibilidade de produtos nas gôndolas dos supermercados brasileiros, atingiu 11,2% em novembro. O resultado representa aumento de 0,2 p.p. em relação a outubro e reflete maior ausência de marcas e variedades em categorias da cesta básica, como leite UHT, feijão, arroz, ovos e azeite.
De acordo com a empresa, o avanço não esteve relacionado a problemas estruturais de abastecimento, mas a um movimento associado ao aumento do giro em períodos promocionais. A combinação entre estoques elevados, preços médios mais baixos e ações comerciais intensificadas levou parte dos consumidores a antecipar compras e formar estoques domésticos, pressionando a disponibilidade de alguns itens específicos.
A Neogrid avalia que esse tipo de ruptura ocorre quando há indisponibilidade pontual de marcas ou apresentações dentro de uma categoria, mesmo com oferta geral mantida. O cenário foi intensificado pela Black Friday e pela preparação do varejo para as vendas de fim de ano.
Outro fator apontado foi a dinâmica comercial entre varejo e indústria. Em períodos de negociação mais intensa, ajustes de sortimento e substituição de marcas podem provocar ausência temporária de produtos nas prateleiras, sem que isso represente restrição produtiva ou escassez da categoria como um todo.
Entre os itens com maior avanço na ruptura, o leite UHT apresentou a variação mais expressiva, passando de 6,7% em outubro para 13,1% em novembro. O movimento ocorreu simultaneamente à redução dos preços médios em todas as variações analisadas. O leite integral recuou de R$ 5,48 para R$ 5,32; o semidesnatado, de R$ 5,73 para R$ 5,49; o desnatado, de R$ 5,64 para R$ 5,45; e o sem lactose, de R$ 7,08 para R$ 6,88.
O feijão registrou aumento de 1,9 p.p. na ruptura, alcançando 7,1%. Os preços tiveram comportamento distinto entre os tipos: o feijão-vermelho caiu de R$ 13,41 para R$ 12,88; o feijão-branco permaneceu em R$ 18,45; o feijão-preto subiu de R$ 6,01 para R$ 6,09; e o tipo carioca manteve o valor de R$ 7,06.
No arroz, a ruptura avançou de 5,4% para 6,9%. Os preços médios apresentaram leve recuo no parboilizado, de R$ 5,12 para R$ 5,02, e no arroz branco, de R$ 5,50 para R$ 5,41, enquanto o integral permaneceu praticamente estável, passando de R$ 11,29 para R$ 11,30.
Os ovos de aves seguiram com nível elevado de indisponibilidade e atingiram 24,1% em novembro, após 22,9% em outubro. No acumulado de janeiro a novembro de 2025, a ruptura do item avançou 22,3%. O movimento foi associado, em parte, ao direcionamento da produção ao mercado externo.
Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal indicam crescimento de 135,4% nas exportações brasileiras de ovos em relação a 2024. Ao mesmo tempo, a demanda doméstica contribuiu para acelerar o giro no varejo. Os preços dos ovos variaram conforme a embalagem. A caixa com seis unidades recuou de R$ 8,64 para R$ 8,12; a de 12 unidades caiu de R$ 12,31 para R$ 11,82; enquanto as embalagens com 20 e 24 unidades registraram variações de -0,64% e +6,8%, respectivamente.
O azeite teve leve aumento na ruptura, de 8,3% para 8,7%, retornando ao patamar observado em setembro. O azeite extravirgem subiu de R$ 94,52 para R$ 95,44, enquanto o azeite virgem recuou de R$ 76,97 para R$ 75,87, mantendo a trajetória de queda pelo segundo mês consecutivo.
O café foi o único item analisado que apresentou redução na ruptura, de 6,6% para 6,3%. O café em grãos teve aumento de preço, de R$ 145,69 para R$ 148,76, enquanto o café em pó recuou levemente, de R$ 85,90 para R$ 85,55.
Segundo o Cepea/USP, o mercado cafeeiro em 2025 permanece marcado por volatilidade de preços, influenciada por condições climáticas adversas e ajustes entre oferta e demanda, exigindo maior planejamento de abastecimento por parte do varejo.
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