14/02/2026
A “crise” das canetas emagrecedores abre 2 oportunidades no varejo alimentar: é só não cometer esse erro!
POR Alessandra Morita
EM 13/02/2026
A Co-op, do Reino Unido, lançou uma marca própria voltada a usuários de canetas emagrecedoras. A varejista é apontada como um exemplo bem-sucedido
por não cometer o mesmo erro que sua concorrente Morrisons. Confira no texto abaixo
Que as canetas emagrecedoras estão remodelando o consumo e reduzindo a presença de alguns produtos nos lares onde há pessoas que utilizam esses medicamentos, não há dúvidas.
Mas o que tem sido encarado como a deflagração de uma nova “crise” nos supermercados e atacarejos precisa ser analisado com o viés da oportunidade. Essencialmente, à medida que a falta de apetite provocada por esses medicamentos altera os motivadores de compra, os consumidores tendem a priorizar porções menores com maior densidade nutricional.
E é aí que surge uma nova possibilidade de venda para o varejo alimentar, envolvendo os produtos e as refeições de preparo na própria loja.
Como há maior controle e flexibilidade sobre esses produtos,
os varejistas podem criar opções mais saudáveis, naturais e com nutrientes e vendê-las
em porções menores na rotisseria ou na padaria do supermercado.
Já a segunda oportunidade reside em evitar um erro que, de acordo com a plataforma de inteligência GlobalData, o varejo do Reino Unido tem cometido. Cabe às redes de supermercado do Brasil evitá-lo.
Por lá, muitos varejistas, como a poderosa Morrisons, estão ampliando as marcas próprias de produtos com esse perfil e rotulando-as para o nicho de usuários de GLP-1, princípio ativo de medicamentos como o Ozempic.
A estratégia é considerada equivocada por Eleanor Simpson-Gould, analista sênior de varejo da GlobalData. Veja o que ela diz, em relatório divulgado pela consultoria: “Os supermercados precisam ampliar as linhas inspiradas em GLP-1, mas devem destacar os benefícios com um apelo universal, como alto teor de proteína, alto teor de fibras e alta densidade nutricional, em vez de focar o marketing exclusivamente na terminologia GLP-1. Os vencedores serão os varejistas que tratarem as refeições inspiradas em GLP-1 como ‘saudáveis’, e não como ‘para quem usa GLP-1’.”
Nesse sentido, a especialista destaca como bons exemplos as varejistas Co-op e Marks & Spencer. A primeira lançou, em janeiro de 2026, as linhas “Good Fuel” e “Power Your Plate”, que oferecem refeições ricas em nutrientes em porções pequenas. Embora pensadas para quem usa canetas emagrecedoras, a comunicação desses produtos também é voltada a outros perfis de clientes. O mesmo conceito é seguido pela Marks & Spencer.
O estudo da GlobalData também alerta as empresas do setor para que o uso desses medicamentos não está associado à retirada de categorias da cesta, mas em comer menos e melhor. E isso exige escolhas e estratégias mais cirúrgicas do varejo alimentar.
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Alessandra Morita
Head de Conteúdo








