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22/04/2026
Esses serão os 5 maiores impactos da Reforma Tributária para o varejo alimentar
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 22/04/2026
Foto: Adobe Stock
A implementação do novo modelo tributário deve transformar de forma profunda a operação do varejo alimentar no Brasil. Mais do que uma mudança na forma de recolher tributos, a reforma altera a lógica de gestão, exigindo maior controle de dados, revisão de processos e decisões mais estratégicas no dia a dia.
Mesmo com a promessa de simplificação no longo prazo, o período de transição tende a ser complexo e desigual entre empresas mais e menos preparadas.
Para Vanderlei Goulart, diretor-presidente da Meta Assessoria Empresarial, o momento exige ação imediata. “O sistema fica mais lógico, mas também mais dependente de organização. Quem não tiver controle e dados confiáveis vai perder margem sem perceber”, afirma.
A seguir, os cinco impactos mais relevantes que já começam a redesenhar o setor:
Cadeia de fornecedores
A relação com fornecedores deixará de ser baseada apenas em preço e passará a considerar a eficiência tributária como fator central. Com a ampliação do modelo de créditos, fornecedores que operam em regimes que permitem creditamento tendem a se tornar mais vantajosos para o varejista.
Isso deve levar à revisão de contratos, renegociação de condições e até substituição de parceiros. O impacto será mais forte entre prestadores de serviço e fornecedores regionais, que hoje operam majoritariamente no Simples Nacional.
“Não basta mais comprar barato. Se o fornecedor não gera crédito, ele pode encarecer a operação no final”, explica Goulart.
Tecnologia e sistemas
A complexidade do sistema tributário deixa de estar concentrada no cálculo e passa para a gestão da informação. Isso exige investimentos em ERPs mais robustos, integração entre áreas e maior qualidade de dados.
Empresas com sistemas defasados terão mais dificuldade para apurar corretamente tributos, aproveitar créditos e evitar erros. “O Tributo pode até ser mais simples na teoria, mas na prática exige tecnologia. Sem integração de dados, o risco operacional aumenta muito”, alerta.
Na prática, a área fiscal passa a depender diretamente da maturidade digital da empresa.
Precificação
A formação de preços será uma das áreas mais impactadas e sensíveis durante a transição. Com a mudança na lógica de cálculo dos tributos e possíveis variações de carga entre categorias, muitos varejistas terão que rever completamente suas estratégias comerciais.
Além disso, distorções do sistema atual tendem a desaparecer, o que pode revelar erros históricos de precificação. “Muita gente vai descobrir que ganhava menos do que imaginava ou até que perdia dinheiro em alguns produtos”, afirma Goulart.
A necessidade de ajustes frequentes deve aumentar, especialmente nos primeiros anos da transição.
Fluxo de caixa
O novo modelo tende a reduzir distorções relacionadas à antecipação de tributos, o que, no longo prazo, pode melhorar o capital de giro das empresas, mas esse impacto deve ser sentido mais pela indústria.
No entanto, essa melhoria não acontece de forma linear. Durante a transição, mudanças no momento de pagamento e apropriação de créditos podem gerar oscilações no caixa, exigindo maior rigor na gestão financeira.
“Existe um ganho estrutural, mas o caminho até ele pode gerar pressão. Quem não se planejar pode enfrentar falta de caixa no curto prazo”, explica.
Competitividade
A reforma tende a reduzir distorções do sistema atual e aumentar a competição entre as empresas. Na prática, isso significa que eficiência operacional, controle financeiro e uso de tecnologia passam a ser determinantes para o desempenho.
Empresas mais estruturadas devem ganhar participação de mercado, enquanto aquelas com menor nível de organização podem perder competitividade rapidamente.
“O novo sistema premia quem é eficiente. Não vai dar mais para compensar problema de gestão com distorções tributárias”, conclui o especialista.
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