ÚLTIMAS NOTÍCIAS
21/07/2026
Esses serão os 5 maiores impactos da Reforma Tributária para o varejo alimentar
POR Barbara Fernandes
EM 24/04/2026

Foto: Adobe Stock
A implementação do novo modelo tributário deve transformar de forma profunda a operação do varejo alimentar no Brasil. Mais do que uma mudança na forma de recolher tributos, a reforma altera a lógica de gestão, exigindo maior controle de dados, revisão de processos e decisões mais estratégicas no dia a dia.
Mesmo com a promessa de simplificação no longo prazo, o período de transição tende a ser complexo e desigual entre empresas mais e menos preparadas.
Para Vanderlei Goulart, diretor-presidente da Meta Assessoria Empresarial, o momento exige ação imediata. “O sistema fica mais lógico, mas também mais dependente de organização. Quem não tiver controle e dados confiáveis vai perder margem sem perceber”, afirma.
A seguir, os cinco impactos mais relevantes que já começam a redesenhar o setor:
Cadeia de fornecedores
A relação com fornecedores deixará de ser baseada apenas em preço e passará a considerar a eficiência tributária como fator central. Com a ampliação do modelo de créditos, fornecedores que operam em regimes que permitem creditamento tendem a se tornar mais vantajosos para o varejista.
Isso deve levar à revisão de contratos, renegociação de condições e até substituição de parceiros. O impacto será mais forte entre prestadores de serviço e fornecedores regionais, que hoje operam majoritariamente no Simples Nacional.
“Não basta mais comprar
barato. Se o fornecedor não gera crédito, ele pode encarecer a operação no
final”, explica Goulart.
Veja mais aqui: Reforma Tributária redefine relação com fornecedores e impõe nova lógica de negociação no varejo alimentar
Tecnologia e sistemas
A complexidade do sistema tributário deixa de estar concentrada no cálculo e passa para a gestão da informação. Isso exige investimentos em ERPs mais robustos, integração entre áreas e maior qualidade de dados.
Empresas com sistemas defasados terão mais dificuldade para apurar corretamente tributos, aproveitar créditos e evitar erros. “O Tributo pode até ser mais simples na teoria, mas na prática exige tecnologia. Sem integração de dados, o risco operacional aumenta muito”, alerta.
Na prática, a área fiscal passa a depender diretamente da maturidade digital da empresa.
Veja mais aqui: Tecnologia vira eixo crítico da Reforma Tributária no varejo alimentar
Precificação
A formação de preços será uma das áreas mais impactadas e sensíveis durante a transição. Com a mudança na lógica de cálculo dos tributos e possíveis variações de carga entre categorias, muitos varejistas terão que rever completamente suas estratégias comerciais.
Além disso, distorções do sistema atual tendem a desaparecer, o que pode revelar erros históricos de precificação. “Muita gente vai descobrir que ganhava menos do que imaginava ou até que perdia dinheiro em alguns produtos”, afirma Goulart.
A necessidade de ajustes frequentes deve aumentar, especialmente nos primeiros anos da transição.
Veja mais aqui: Entenda como a Reforma Tributária fará o varejo recalibrar os preços e margens
Fluxo de caixa
O novo modelo tende a reduzir distorções relacionadas à antecipação de tributos, o que, no longo prazo, pode melhorar o capital de giro das empresas, mas esse impacto deve ser sentido mais pela indústria.
No entanto, essa melhoria não acontece de forma linear. Durante a transição, mudanças no momento de pagamento e apropriação de créditos podem gerar oscilações no caixa, exigindo maior rigor na gestão financeira.
“Existe um ganho estrutural, mas o caminho até ele pode gerar pressão. Quem não se planejar pode enfrentar falta de caixa no curto prazo”, explica.
Veja mais aqui: Reforma Tributária pode pressionar o caixa no curto prazo e exige nova disciplina financeira do varejo
Competitividade
A reforma tende a reduzir distorções do sistema atual e aumentar a competição entre as empresas. Na prática, isso significa que eficiência operacional, controle financeiro e uso de tecnologia passam a ser determinantes para o desempenho.
Empresas mais estruturadas devem ganhar participação de mercado, enquanto aquelas com menor nível de organização podem perder competitividade rapidamente.
“O novo sistema premia quem é eficiente. Não vai dar mais para compensar problema de gestão com distorções tributárias”, conclui o especialista.
Veja mais aqui: Reforma Tributária muda a lógica competitiva no varejo alimentar com fim da guerra fiscal
Notícias relacionadas
IndústriaXandô inaugura novo CD em São Paulo para aumentar eficiência logística
VarejoGPA avança na recuperação extrajudicial com adesão de quase todos os credores
Gestão e negóciosRodrigues Supermercados se despede do varejo alimentar após 30 anos; Vitória assume operação
Fusões e AquisiçõesOnda de aquisições nos últimos meses redesenha o varejo alimentar e a indústria
Barbara Fernandes
Repórter








