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Reforma Tributária redefine relação com fornecedores e impõe nova lógica de negociação no varejo alimentar

POR Barbara Fernandes

EM 27/04/2026

Adobe Stock

Foto: Adobe Stock

 

A Reforma Tributária começa a redesenhar de forma estrutural a cadeia de fornecedores do varejo alimentar, com impactos que vão da indústria aos prestadores de serviços como logística, tecnologia e manutenção. Com a criação do modelo de IVA Dual, baseado no CBS e IBS, o sistema avança na redução de distorções e passa a priorizar a tributação no destino, alterando uma lógica que por décadas orientou decisões comerciais e operacionais no setor.

 

A nova sistemática tende a permitir um aproveitamento mais amplo de créditos ao longo da cadeia, ainda que não totalmente irrestrito, o que exige uma análise mais sofisticada na escolha de parceiros. Preço e prazo continuam relevantes, mas deixam de ser suficientes diante de um cenário em que o enquadramento tributário do fornecedor passa a impactar diretamente o custo final.

 

Um dos pontos mais sensíveis da nova dinâmica envolve fornecedores enquadrados no Simples Nacional. Pela configuração prevista da reforma, essas empresas tendem a não gerar crédito integral para o comprador, o que pode reduzir sua competitividade frente a àquelas que seguem outros regimes tributários.

 

Esse efeito se torna ainda mais evidente na contratação de serviços, historicamente tratados apenas como despesa. Segundo Vanderlei Goulart, diretor-presidente da Meta Assessoria Empresarial, os varejistas precisam saber exatamente de quem estão comprando e como esse fornecedor está enquadrado. “Quem não fizer esse controle vai acabar pagando mais”, alerta.

 

Goulart também destaca que o tema deve ser tratado de forma direta entre varejistas e fornecedores: “É preciso confirmar se o fornecedor é Simples Nacional e, se sim, a próxima pergunta é se ele vai migrar para um modelo que permita crédito a partir de 2027", auxilia o executivo. 


"Se eu tenho um fornecedor do Simples Nacional e outro do lucro real, ou Simples regular, é muito mais interessante contratar esses dois últimos, pois eles geram crédito”, explica o diretor. Por isso, segundo ele, a Reforma muda completamente a lógica de decisão.

 

Na prática, isso tende a se traduzir em pressão por preços mais baixos para fornecedores que não geram crédito. “Não é que não possa comprar do Simples Nacional, mas esse fornecedor vai ter que ter uma diferença muito grande no preço”, ressalta. “Estamos falando de uma carga estimada próxima de 28%, que ainda não está definida oficialmente, mas já é uma referência de mercado. Então, para fazer sentido, esse fornecedor teria que oferecer um preço nessa ordem mais barato.”

 

Esse cenário deve afetar principalmente fornecedores regionais e prestadores de serviço, que historicamente operam no Simples Nacional. Já os gigantes da indústria tendem a sofrer menos impacto, uma vez que já atuam majoritariamente com lucro real.

 

Diante desse novo contexto, a recomendação é clara: revisar toda a base de fornecedores e antecipar ajustes. “Talvez seja necessário trocar de fornecedor, renegociar contrato e até rever a base. Quem não fizer isso vai carregar um custo desnecessário.”

 

Mais do que uma mudança tributária, a reforma impõe uma nova lógica de gestão da cadeia de fornecedores. Para o varejo alimentar, que opera com margens apertadas, a capacidade de incorporar critérios fiscais nas decisões comerciais, revisar contratos e selecionar parceiros de forma estratégica tende a se tornar um dos principais diferenciais competitivos nos próximos anos.


Veja também:


Reforma Tributária: o que é e por que ela muda o jogo para o varejo alimentar


Reforma Tributária: especialista indica os primeiros passos para iniciar a implementação das mudanças


Esses serão os 5 maiores impactos da Reforma Tributária para o varejo alimentar

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TAGS:Estratégia, Reforma Tributária,Gestão e negócios,Cadeia de fornecedores
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